domingo, 5 de outubro de 2008

Desabafo

Este post, (ou melhor dizendo, "postagem") deve-se ao comentário do stor ao meu texto anterior, o qual referia que "pelo sonho é que vamos", (aproveito também para agradecer os comentários da Bijal e da Sara). Pois bem, essa pequena citação fez-me lembrar o meu 9º ano (mais à frente vão entender). Pois bem, no 9º ano tudo parecia tão perfeito, tinha comigo os melhores amigos do Mundo, dizíamo-nos "inseparáveis", e que aquela amizade seria "para sempre" pois bem... Muitas palavras em vão, que, por muito que me custe aceitar, foram ditas da boca para fora. Para muitas pessoas "para sempre" não dura mais que meses, semanas, dias. E com isso tive de aprender. Muitos mudaram de escola, muitos vieram para a mesma escola, mas quando passam parece que nem nos conhecemos ou que passámos tantos e bons momentos como aqueles.
Voltando ao assunto do post... Quando, no 9º ano, a nossa directora de turma nos mandou fazer um texto em que o título era "Onde estarei eu daqui a 30 anos", se bem me lembro, onde teríamos de incluir sonhos, perspectivas e "o que queríamos ser quando fôssemos grandes". Eu, que pensava saber tudo em relação a isso, quando pego na caneta e tenho o papel a minha frente... As palavras não me saíram. Foi como não saber quem sou, não saber o que quero, e não querer que aquele ano, o melhor ano da minha vida no que toca a amizades, se apagasse em três meses. As palavras teimavam em não sair, tinham-me abandonado completamente como nunca haviam feito. Até que, naquele preciso momento, me decidi a escrever o que estava a sentir. Referi tudo, até ao mais pequenino pormenor. Mas afinal... Quem queria eu ser? Está mais que provado que, na maioria das vezes "querer" não basta e não passa apenas de uma palavra quase desconhecida. Claro está, não me lembro de tudo o que escrevi, mas lembro-me da última frase, também a mais importante "Eu só quero ser feliz, acho que não é pedir muito".

Ela fez um pequeno comentário, com o qual me identifico totalmente:
«Inês: ser feliz é o teu objectivo. Não penses que é pouco! É até muito ambicioso. mas: "Pelo sonho é que vamos, comovidos e mudos. Chegamos? Não chegamos? Haja ou não frutos, pelo sonho é que vamos"(Sebastião da Gama)»
Interrogo-me, agora, se isto é a felicidade. É? Bem, como já referi, muitas daquelas amizades não passaram de meras ilusões, e pergunto a essas pessoas se guardaram os momentos entre risos e lágrimas, gritos e choros, ou se simplesmente os mandaram para o lixo. Mesmo tendo em conta tudo isto, eu sou feliz, porque apesar de ter passado um dos piores anos da minha vida, onde parecia que o Mundo me estava a virar costas, onde tudo à minha volta parecia desmoronar, aprendi que as pessoas, os amigos mudam e nós temos de aprender a lidar com essas mudanças, e se forem mesmo "amigos" tornaram o pior defeito numa virtude e ultrapassaram todos os maus momentos. Felizmente, melhores momentos e pessoas vieram, e creio estar no auge da minha felicidade nestes tão curtos 16 anos da minha vida. Tenho comigo as melhores pessoas do Mundo, aqueles que através dessa mudança sempre permaneceram, e aqueles que entraram na minha... Posso dizer "nova vida", (não quero estar a referir nomes), é deles que preciso e é com eles que me sinto bem. Aprendi que, embora perto, muitos preferiram estar longe, e que, longe, os verdadeiros amigos nunca deixaram de estar perto.
Amigo não é aquele que só está por perto quando tem de estar, é aquele que está perto mesmo na distância, que vive no coração e não apaga memórias por mais voltas que o Mundo dê. Sonhadora como me julgo, e como me dizem que sou, sonho que essas pessoas um dia percebam isso. Quero ser feliz? Sim, mas aprendi a escolher não o caminho mais fácil, mas o que o meu coração escolheu.
# nêê..

10 comentários:

Alexandra Nunez disse...

'Eu, que pensava saber tudo em relação a isso, quando pego na caneta e tenho o papel a minha frente... As palavras não me saíram. Foi como não saber quem sou, não saber o que quero, e não querer que aquele ano, o melhor ano da minha vida no que toca a amizades, se apagasse em três meses.'

tal como tu, esta foi a maior sensação de impotência, de fraqueza, pela qual me fiz passar. Certo é que, na altura, fiquei um pouco chocada, agora pergunto-me se será assim Tão importante termos respostas a todas estas perguntas. 'Pensar demais faz mal, agarra numa guitarra e vem tocar com o pessoal': de facto, melhor que pensar, por vezes é agir ao sabor da corrente; não é em relação a tudo que temos de ter a resposta na ponta da língua (e tu até sabes como isso, para mim, é importante).

Por mais que pareça parvo, e agora falo por mim e só por mim pois sei que não é uma opinião que possa ser levada ao geral, até acho uma certa graça ao facto de não me conhecer a fundo, assim ainda me surpreendo... Podendo não ser sempre pelas razões positivas, alegra-me, motiva-me.

Alexandra Nunez disse...

E já agora: o nono ano foi, igualmente para mim, um marco. O final de um capítulo. Agora vejo que esse termo já vai a caminho dos três anos, olhando para trás vejo a agitada dança de inícios disto ou daquilo, novas caras, novos corações, novas almas, novos ideais, já muitas histórias tem para contar.

Tenho o meu hi5, mais ou menos desde o final do nono ano, numa noite sozinha destas férias de Verão - que já marcam Saudade -, lembrei-me de ler, desde o comentário Um, até ao mais recente. Foi uma mistura de sentimentos fantástica! Mas claro, para compensar os momentos bons, há sempre aqueles comentários do género 'és a Binha Belhor aBiga (desculpem, mas estou doente)' que no fundo, se mostraram aBizades que terminaram num abrir e fechar de olhos. É estranho!

Anónimo disse...

Pois tens razão, porque por vezes, mesmo sabendo todas as respostas, as perguntas deixam de ser as mesmas, ou perdem-se e deixam simplesmente de fazer sentido.

Muitas histórias para contar de certo. Sempre pensei que seria impossível colocar um ponto final àquele capítulo da minha vida, e era disso que mais temia, agora, quando olha para trás e vejo as mudanças sucedidas e que consegui ultrapassar isso e ganhar coisas novas que não perderia por nada, ganhamos certamente uma nova mentalidade, uma nova força para encarar a vida, com outros olhos.

Podes crer, eu nas férias também me pus a ler os comentários do hi5 e chocou-me aperceber que aquela "eternidade" tão falada e juras de "para sempre" tivessem terminado assim. Sempre pensei que a distância poderia por muitas vírgulas, mas nunca um ponto final, e já lá vai o final desse capítulo, mas queria voltar a esses tempos e aperceber-me do que aconteceu, mas não trocaria o presente que me surpreende a cada momento (pela positiva).

disse...

Obrigada Bijal :'D

Aquela fase doa 6 aos 9/10 anos foi tão mas tão importante para mim também e tu estiveste presente, e quando pensar nessa fase da minha vida, acredita que estarás sempre presente :D

Porque foste nesse capítulo, e estás a ser neste, uma grande amiga que já mais esquecerei também :D aliás, seria impossível ^^

Anónimo disse...

Peço desculpa por ter comentado com o nome do meu blog :$

Sarinha ^^ disse...

Primeiro pensei, não vou ler este texto é muito grande, talvez não valha a pena estar a ler isto... Mas contudo vim aqui ver os comentários, que me levaram a ler o que a princípio não quis ler...
Podia ter escolhido um outro dia, mas hoje que estou mais frágil em sentimentos, vim cá para o ler...
O que dizer sobre o texto, não sei! E tanta verdade que lá está escrita, que ás lágrimas me tiraram as letras dos dedos... Talvez o conseguisse ler sem chorar, mas hoje foi o dia que escolhi, e aos estar a ler, deixou-me a pensar em tanta coisa, que também já passei, que já vivi, que já senti, que já chorei, que já me fiz rir! Enfim…
Se a Bijal quase chorou, eu chorei mesmo…
Palavras para que, PARABENS INÊS
Com grandes ou pequenos textos, consegues por o pessoal a pensar, pensar e muito na VIDA, pensar em tudo, o que fomos, passamos, e o que sou-mos, passamos e ainda vamos seremos e vamos passar… =/
Beijinhos Inês

Anónimo disse...

Oh :$

Obrigada Sara essas palavras tocaram-me *.*

Sarinha ^^ disse...

Ups, dei ali uns pequenos erritos na construção de algumas das frases que escrevi, são coisas que aconteçem, xD...
Bigada eu Inês, apenas escrevi o que me ia no pensamento ^^

Anónimo disse...

E eu também xD

11ºB disse...

Nê, a amizade é, como todos os sentimentos, e como em todos os casos de relações humanas, algo muito complicado. Porque as pessoas são complicadas, a vida é complexa, e a amizade será porventura um dos aspectos que mais nos faz pensar e sentir. Este, tal como outros.

Ao longo dos anos, crescemos, amadurecemos, e mudamos muito. E ao mesmo tempo mudam também os outros, e altera-se igualmente o mundo que nos rodeia. É inevitável.

Seria bom podermos guardar um determinado momento da nossa vida como numa fotografia, em que tudo fica imutável e parece eterno. Ou porventura não, quem sabe?

E quem poderá dizer se os outros não pensarão o mesmo acerca de nós, quem mudámos, que os deixámos de lado, que encontrámos outras amizades pelo caminho, desfazendo outras que até então pareciam indestrutíveis?

O melhor será mesmo prepararmo-nos para enfrentar a vida, os desafios que ela constantemente nos propõe, os obstáculos que temos para ultrapassar, as desilusões que iremos enfrentar. Porque os sonhos existem, mas nem sempre é aconselhável vivermos fechados num mundo de aparente ilusão e perfeição. E isso faz-nos mais fortes. Que não tenhamos dúvida disso.