terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Um Óptimo Ano Novo


Leituras - recomendações

Deixo aqui uma curta lista de obras de ficção de autores de língua portuguesa, de onde poderão escolher alguns livros para o «contrato de leitura». No final segue também uma lista de poetas portugueses, de entre os que considero mais significativos.

Esta lista não é, de maneira alguma, exaustiva, tendo sido realizada apenas com a intenção de possibilitar uma escolha de obras relativamente fáceis de encontrar em bibliotecas ou em locais de venda ao público. Muitos outros autores e livros ficaram de fora. Servirá, apenas, como indicação complementar à lista que foi fornecida no início do ano lectivo.

Os autores e as obras incluem hiperligações, de modo a permitirem a recolha de informações.


Fica ainda aqui uma lista de 70 livros de literatura estrangeira, que incluem aqueles que devemos ler durante a nossa vida, como muitas vezes se lê por aí.

PROSA (ficção)
Autores do Século XIX:
Alexandre Herculano, Eurico, o Presbítero (romance)
Alexandre Herculano, O Bobo (romance)
Alexandre Herculano, O Monge de Cister (romance)

Almeida Garrett, O Arco de San’Ana (romance)

Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição (romance) – (texto online aqui ) ou qualquer outro do mesmo autor

Eça de Queirós, Os Maias (romance) – ou qualquer outro do mesmo autor
Eça de Queirós, O Crime do Padre Amaro (romance) – ou qualquer outro do mesmo autor

Júlio Dinis, Uma Família Inglesa (romance) – ou qualquer outro do mesmo autor

Autores dos Séculos XX / XXI:
Jorge de Sena, Sinais de Fogo (romance)
Jorge de Sena, Antigas e Novas Andanças do Demónio (contos)
Jorge de Sena, O Físico Prodigioso (novela)

Domingos Freitas do Amaral, Enquanto Salazar Dormia (romance) [edição recente]

Ricardo Adolfo, Os Chouriços São Todos Para Assar (contos) [edição recente]

Vitorino Nemésio, Mau Tempo no Canal (romance)

José Luandino Vieira, Luuanda (romance) – literatura angolana

Aydano Roriz, O Fundador (romance) – literatura brasileira [edição recente]

José Saramago, Ensaio Sobre a Cegueira (romance)
José Saramago, Memorial do Convento (romance)

Fernando Campos, A Casa do Pó (romance)
Fernando Campos, O Cavaleiro da Águia (romance)

Almada Negreiros, Nome de Guerra (romance)

João Aguiar, A Voz dos Deuses (romance)
João Aguiar, Inês de Portugal (romance) [edição recente]

Jorge Amado, Capitães da Areia (romance) - literatura brasileira
Jorge Amado, Gabriela Cravo e Canela (romance) - literatura brasileira
Jorge Amado, Tieta do Agreste (romance) - literatura brasileira
Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos (romance) - literatura brasileira

Mário-Henrique Leiria, Contos do Gin-Tonic (contos)
Mário-Henrique Leiria, Novos Contos do Gin (contos)

Sophia de Mello Breyner, Contos Exemplares (contos)

Agustina Bessa Luís, A Sibila (romance)

Lídia Jorge, O Dia dos Prodígios (romance)
Lídia Jorge, A Instrumentalina (conto)

Pedro Paixão, Ladrão de Fogo (romance)
Pedro Paixão, Muito, Meu Amor (romance)

António Lobo Antunes, Eu Hei-de Amar uma Pedra (romance) [edição recente]

José Rodrigues dos Santos, A Filha do Capitão (romance) [edição recente]
José Rodrigues dos Santos, O Codex 632 (romance) [edição recente]

José Cardoso Pires, Balada da Praia dos Cães (romance)

Álvaro Guerra, Café República (romance)
Álvaro Guerra, Café Central (romance)
Álvaro Guerra, Café 25 de Abril (romance)

José Rodrigues Miguéis, O Milagre Segundo Salomé (romance)

POESIA
Autores do Século XIX:
- Almeida Garrett
- Alexandre Herculano
- Antero de Quental
- Cesário Verde

Autores dos Séculos XX / XXI:
- Fernando Pessoa
- Mário de Sá-Carneiro
- Almada Negreiros
- Florbela Espanca
- Mário Cesariny
- Alexandre O’Neill
- António Maria Lisboa
- Jorge de Sena
- José Gomes Ferreira
- Vitorino Nemésio
- Herberto Helder
- Carlos de Oliveira
- Eugénio de Andrade
- Natália Correia
- Ruy Belo
- Rui Knopfli
- António Ramos Rosa
- Ruy Cinatti
- Luiza Neto Jorge
- Fiama Hasse Pais Brandão
- Pedro Tamen
- António Osório
- Joaquim Manuel Magalhães
- João Miguel Fernandes Jorge
- Helder Moura Pereira
- Daniel Filipe
- Manuel Alegre
- David Mourão-Ferreira
- Al Berto




70 LIVROS PARA LER ANTES QUE SEJA TARDE...

1. Orgulho e Preconceito - Jane Austen
2. O Senhor dos Anéis - JRR Tolkien
3. Jane Eyre - Charlotte Bronte
4. Harry Potter - JK Rowling
5. Não Matem a Cotovia - Harper Lee
6. O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde
7. O Monte dos Vendavais - Emily Bronte
8. 1984 - George Orwell
9. Os Reinos do Norte - Philip Pullman
10. Grandes Esperanças - Charles Dickens
11. A Idade da Inocência - Edith Wharton
12. Diário de um Louco - Nikolai Gogol
13. Catch 22 - Joseph Heller
14. A Laranja Mecânica - Anthony Burgess
15. Rebecca - Daphne Du Maurier
16. Boneca de Luxo - Truman Capote
17. Blade Runner - Perigo Iminente - Philip K. Dick
18. Uma Agulha no Palheiro - JD Salinger
19. Mulherzinhas - Louisa M Alcott
20. Ligações Perigosas - Choderlos de Laclos
21. E Tudo o Vento Levou - Margaret Mitchell
22. O Grande Gatsby - F Scott Fitzgerald
23. Oliver Twist - Charles Dicken
24. Guerra e Paz - Léon Tolstoi
25. Orlando - Virgina Woolf
26. Orgulho e Preconceito - Jane Austen
27. Crime e Castigo - Fyodor Dostoyevsky
28. As Vinhas da Ira - John Steinbeck
29. Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll
30. Nossa Senhora de Paris - Victor Hugo
31. Anna Karenina - Léon Tolstoi
32. David Copperfield - Charles Dickens
33. O Cão dos Baskervilles - Arthur Conan Doyle
34. Emma - Jane Austen
35. Persuasão - Jane Austen
36. Frankenstein - Mary Shelley
37. O Livro da Selva - Rudyard Kipling
38. Os Despojos Do Dia - Kazuo Ishiguro
39. O Talentoso Mr. Ripley - Patricia Highsmith
40. O Triunfo dos Porcos - George Orwell
41. Cem Anos de Solidão - Gabriel Garcia Marquez
42. O Senhor das Moscas - William Golding
43. Sensibilidade e Bom Senso - Jane Austen
44. A Suitable Boy - Vikram Seth
45. The Shadow of the Wind - Carlos Ruiz Zafon
46. Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley
47. Amor nos Tempos de Cólera - Gabriel Garcia Marquez
48. Ratos e Homens - John Steinbeck
49. Lolita - Vladimir Nabokov
50. O Conde de Monte Cristo - Alexandre Dumas
51. Pela Estrada Fora - Jack Kerouac
52. Judas o Obscuro - Thomas Hardy
53. Moby Dick - Herman Melville
54. Oliver Twist - Charles Dickens
55. Dracula - Bram Stoker
56. A Campânula de Vidro - Sylvia Plath
57. Germinal - Emile Zola
58. A Feira das Vaidades - William Makepeace Thackeray
59. Contos de Natal - Charles Dickens
60. Madame Bovary - Gustave Flaubert
61. Coração das Trevas - Joseph Conrad
62. O Principezinho - Antoine De Saint-Exupery
63. A Letra E scarlate - Nathaniel Hawthorne
64. A Ilha do Tesouro - Robert Louis Stevenson
65. A Sangue Frio - Truman Capote
66. Os Três Mosqueteiros - Alexandre Dumas
67. Hamlet - William Shakespeare
68. Charlie e a Fábrica de Chocolate - Roald Dahl
69. Os Miseráveis - Victor Hugo
70. Retrato do Artista Quando Jovem - James Joyce

domingo, 21 de dezembro de 2008

"Tinha de ser"


Já é mundialmente conhecido o meu gostinho por hip hop tuga (upa upa!). Não me diz nada e continuo a achar que se deviam deixar pela escrita, mas é a minha opinião. Mas.. Há uns meses atrás, quando estava a falar de rock e hip hop com um amigo, ele mandou-me uma música que, na altura, não lhe achei piada nenhuma, não me disse nada.. Mas hoje, por um mero acaso, ouvi-a e gostava de a partilhar...

A música intutulada "Tinha de ser", do Xeg e do New Max, dos Expensive Soul..
[Vou cortar algumas partes]


Não sei se é bom ou não termos tomado esta desisão
Da minha parte já não dava para aguentar a situação
Enfim…eu acho que só dava para ser assim
Por outro lado a tua perca faz-me ver como eras importante para mim
Lamento as discussões, as confusões em que caímos
Às vezes temos duas opções e pouco tempo para decidirmos
Nunca é bom separarmo-nos com quem foste tão fundo
Quem irradia de ternura a parte mais escura do teu mundo
Tudo o que dava para dividir, por nós foi dividido~
Alegrias, tristezas, até os medos mais escondidos
Qualidades, defeitos, ódios, afectos,
Dá a maior dor no peito quando lemos os nossos projectos
Viver junto, ter filhos, como quase toda a gente
Como o que o amor sentíssemos nessa altura fosse durar para sempre
Sem pensamentos interesseiros…apenas puros e verdadeiros
E sempre nos respeitamos mutuamente como parceiros
Sem segundas intenções, entre nós tudo era claro
Sem truques, nem invenções o que hoje em dia é raro
Umas conversas, promessas, [******** ******* * *********]
Um grande amor quando acaba, parte o coração em peças
O que se pode fazer, quando nada há a ser feito?
O destino marca o ritmo e nós dançamos a seu jeito
Por entre tangos e salsas, fandango, rumbas e valsas
Umas em salões, outras em pedras descalças
Toda a vida é uma metáfora entre o pensamento e a realidade
Em distinguir uma da outra é que está a dificuldade
Quero que continues a sonhar e realizes os teus sonhos
Mesmo que estejamos separados desejo-te um futuro risonho
E tu mereces concretizar tudo aquilo que me falavas
Eu sei que tu sabes que é com carinho com que te escrevo estas palavras
Não sei se ainda me amas, mas tenho a certeza que me amavas
Assim quer como eu a ti, quer quando rias ou choravas


[****] diz-me onde falhei, eu volto atrás
Se é tão bom viver contigo, então onde estas?
[****] diz que não sonhei, nós somos iguais
Porque o dia hoje é noite e amanhã não há mais


Recordo a noite em que começamos, do teu cheiro, do teu sabor
[** ******** *** *** ******* **** * ** ****** ** *** ******* ****]
[******-** *** *** ******** ***** ** *** ** ** ******** ******]
Até que eu te deixei no comboio, parece que o mundo ia acabar
Daquele vazio, o infinito, aquelas ânsias que sentia
Como se fosse o último dia e o mundo acabasse ali
Era tudo tão pequeno, só isso era intenso
E às vezes o que eu sinto sobrepõe-se ao que eu penso
Já pensei pedir desculpas, mas se alguma vez te magoei
Foi ao ser sincero contigo, a dizer tudo o que pensei
Foram discussões e tolerância, falta de tempo e distância
Pequenos pormenores passaram a ter grande importância
Lembraste quando eu te convidada para sair?
Tu dizias: “não posso”
Não conseguias resistir e o mundo inteiro era nosso
Não havia trabalhos nem exames, responsabilidades nem stress
[******** **** **** * ****** * ******* *** *****]
Era tudo tão bom, tipo tavamos de férias
Lembraste quando me dizias: “ hoje não vale conversas sérias”?
Lembraste como eras chata e as birras que fazias
Só porque eu não te via há apenas dois dias
Quem diria que um dia isso tudo fosse desaparecer
A paixão tapou os problemas que o amor não foi capaz de resolver
Às vezes o que parece consistente nem sempre resulta
Também é inútil tentarmos ver de quem foi a culpa
Porque não se trata de culpa mas sim de sentimentos
Que se foram perdendo e desgastando com o tempo
Foram mais de 2 anos de amor, [****] e planos
Imagina o tronco de uma árvore que à medida que cresce
Se vai dividindo em ramos, cada um para o seu lado
Mas tudo o que vivemos por mim será recordado
Até ao dia em que os nossos caminhos se separaram
Eu acho que há sempre carinho entre duas pessoas que se amaram.


Espero que tenham gostado, para mim passou a ter um significado especial.. Diz-me bastante.

sábado, 20 de dezembro de 2008

BOAS FESTAS A TODOS!

Um poema sobre o Natal

Para quem gostar, aqui fica um poema de Alberto Caeiro, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, intitulado:

Poema do Menino Jesus

Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas –
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.Depois fugiu para o Sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou – "Se é que ele as criou, do que duvido."
-"Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

M-D :D


Obrigada por me abrires os olhos – podia eu dizer; em vez disso prefiro tornar a situação um pouco mais dramática. Como sempre:
Obrigada por me teres lançado a bóia! Embrenhada nos meus, por vezes trémulos e inibidos, pensamentos negativos, não vi qual seria o meu destino. Já passara o nível das águas do mar, o nível da minha cabeça quando ma lançaste. Porque saíra eu para fora de pé?! Porque não ouvira eu os outros quando me tentavam aliciar a voltar às douradas areias?! Tu foste mais firme: em vez de um grito, volta Xana, a maré está a levar-te, tu não tiveste medo de te molhar. Eu estava cega, estava surda e, ainda assim, lançaste-ma ao mar. Ao meu mar. Naquele momento, tinhas sido o meu maior inimigo: por vezes a grandiosidade deste mar é assim; primeiro suga-nos o racional e o resto vai de caminho, sem medidas.
Esperneei, gritei contigo e o mar continuava a chamar-me: a maré que vazara o meu coração e levara tudo aquilo em que acredito puxava-me para um lado; tu, que já me tinhas a mão agarrada, puxavas para o outro. Ganhaste este jogo de forças e finalmente fizeste com que voltasse a sentir o quente do chão; o firme que já não era eu!

Já muitas outras seguiram este mesmo caminho para lá e não tiveram ninguém que lhes tirasse a bóia, ou não a quiseram agarrar. Eu felizmente tive-te a ti!

Foi preciso deitar-me naquela cama de rede que me embalava ao irónico som daquele mar traiçoeiro, que quanto mais nos tem, mais nos quer ter, para ver que tu eras não menos que o detentor da razão. Saí então, descalça, e procurei-te do outro lado das rochas escarpadas, onde sempre te encontrara. Sentei-me perto de ti. Com poucas palavras desculpei-me e agradeci-te.
De facto, destes mares, cada um tem o seu, é como um vício íntimo, uma queda por um abismo apetecível; e o meu é uma apatia imensa… Já tenho vindo a experimentar, por tempos e tempos, este meu mar que atraiçoa, e só tu me fizeste ver o tamanho do seu egoísmo e da sua hipocrisia.
Lançaste-me a bóia, como um estalo gélido. Tiraste-me de lá e nem tinhas motivos para o fazer. Então, e mais uma vez, pela última vez, pedi a uma estrelinha do mar que viesse ao mundo dos Homens dizer-te Obrigada por mim!

(fotografia e texto de Alexandra Nunez [Schnee Käsekuchen], em http://xxpaodeformaxx.blogspot.com)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

TIREM-ME DAQUI!

Eu não percebo porquê que não consigo simplesmente seguir em frente, e acabou! Eu não compreendo porquê que, apesar de ter sido extremamente fantástico tudo o que junto passamos, sinto que não vivemos nem metade daquilo que poderiamos ter vivido, e ainda sinto que podia ter mudado tanta coisa que não mudei, que não consegui mudar, e que se tivesse mudado, hoje eu não estaria assim, hoje não estarías ai, estarias aqui, hoje não eramos eu e tu, seriamos nós. Eu já nem sei o que sinto. Sei que tenho cabeça tronco e membros, mas apenas sinto o coração, apesar de sentir que não o sinto. Confuso? Pudera, não existe outra palavra que melhor me descreva. Eu não sei o que queres, não sei o que é suposto eu pensar com as tuas atitudes, que me levam ao desespero, por vezes mostras que tens saudades, que também te arrependes, que também gostavas de me dar a opurtunidade que eu te quis dar e tu não deixaste, como no momento asseguir mudas completamente, deixo de te sentir "meu" (já nem tenho a coragem de usar essa palavra sem ser entre aspas). Passas então a irritar-me, por não te perceber, por não saber o que queres, e principalmente, por não saber como ficar, como reagir. Eu sei que podiamos ter tudo, podiamos fugir, abstrair-nos, ficar no nosso proprio mundo que haviamos construido, cercado pela fortaleza para onde mandamos todos os nossos medos, inseguranças, coisas que nos magoavam. Mas cada vez vieram mais coisas más e piores, e como dizes, a fortaleza não foi suficientemente forte, não aguentou, caiu, desmorenou. Mas eu continuo a perguntar-me o porquê! Eu sei, eu sei que isto podia ser apenas mais uma fase que juntos ultrapassariamos! Eu sei que, mais uma vez, como sempre fizemos, conseguiamos usar as coisas boas para vencer as más, pois as más não valiam nem um por cento daquilo que fomos um para o outro. Daquilo que eu te fiz viver, daquilo que me fizeste viver, daquilo que vivemos juntos, de tudo aquilo e de todos aqueles que ultrapassamos para ficarmos juntos. E conseguimos uma vez, sei que conseguiamos segunda. Mas não quiseste. Porquê???
Eu choro, choro porque me sinto completamente desamparada, sem lugar para onde ir, sem ter para onde me virar, apenas com este vazio cá dentro que me envolve quase que por completo.
Choro ainda mais pelas recordações do passado que vivemos, e que não podem ser repetidas, porque não queres.
Choro mais ainda porque nunca me importei com o porquê de nada, sempre sobrevivi, sozinha, resguardada em mim, só em mim, com a minha própria força, e agora não consigo não chorar e enervo-me com isso, choro mais então.
Eu fiz de ti a minha força, e agora que foste, nada ficou, ficou apenas aquela que te amava e continua a amar, incondicionalmente, ainda a tentar perceber porquê que o destino assim quis.
# nêê..

É assim um texto' é assim uma VIDA!


Agora a Sara, vai vir a baixo… Pela milésima vez! :(

Pela mesma razão, pela mesma coisa, pela mesma pessoa, ODEIO ISTO, sinto-me Impotente pela primeira vez não conseguir reagir como sempre consegui fazer. Sinto-me Presa sem me conseguir mexer, sem me conseguir levantar, CAÍ num Abismo, e não encontro um caminho de volta, uma SAÍDA... =(
Porquê choras? Eu choro quando me sinto injustiçado, eu choro quando perco alguém que amo. Tens de ver as coisas para ti! Abre os olhos!
Choro, choro como nunca chorei por ninguém, principalmente por esta razão, em 17 anos, choro ao ponto de ter de me levantar porque fico sem AR, por não consigo respirar. Choro ao ponto de não poder mais, de cair e não me levantar, e ali ficar até ganhar força para reagir, por pouco tempo que seja.
Eu não sei o que dizer, não sei o que fazer. Sara, vive cada dia como se fosse o último. Tu desejas ser feliz. Tenta sorrir num momento mau, tenta sorrir quando não te dão o que queres!
Sorri para mim, para eu sorrir também.
Sempre vivi cada momento como se fosse o último, mas como posso seguir a vida se deixei de Viver. O que tinha de bom em mim a alegria, foi, perdeu-se, morreu! Desejo ser feliz, mas estou presa e não me liberto, tento dar um sorriso sincero com vontade, mas não tenho forca suficiente para o fazer, não tenho forca para nada.
Sabes quando e que me apercebi que me estava a ir a totalmente a baixo, como nunca fui?
Foi quando?
De um momento para o outro dei por conta que eu não era mais eu, a Sara de alma morreu, e neste momento só tenho vontade de morrer também de corpo, fugir ou desaparecer, para longe de olhares que me conhecem. Perdi a vontade de tudo, até de Viver. Eu, eu já não acho nada.
Tu não precisas de achar, tu sabes que isso não se justifica, sabes que tens de sair disso.
Eu não sei de mais nada, eu já nem sei de mim …
Tu tens forcas para te libertares, só tens de as achar para isso, tu queres te libertar, tu consegues se quiseres, tens o apoio dos teus amigos para isso! Diz-me como?
Isso não me cabe a mim, tu e que tens de descobrir.
Já nem sei a quanto tempo ando assim, a tentar encontrar uma luz ao fundo do túnel.
Mas, eu não consigo, eu tento, eu procuro, mas não consigo. :'(
Oh Sara, achas que quero que passes o que estas a passar?
Não!!
(…)
O que viste não foi, um terço do que já chorei’ do que já sofri’ do que já passei’ do que já senti. :/ Mais do que faço não consigo fazer!
Só se AMA uma vez de cada vez!
Não és tu que escolhes quem amas, mas és tu que decides o amor que queres ter.
Sim, mas não fazes ideia, o que é passar, estar a passar sem saber quando tudo vai acabar.
Tens de aguentar rapariga e eu estou cá para te apoiar.
Aguentar, aí está uma boa palavra! Só que eu já não aguento mais.
Não sirvo só para te ver sorrir, eu sirvo para te fazer sorrir.
Hoje sei, estou a chegar ao limite do sofrimento.
A vida é como a economia, há crises e crises, e cíclico.


..

# Quem esqueceu um AmOrnãO chOra’ Quem chOra ainda lembra’ Quem lembra ainda sente O que já nãO vale a pena .. <3
*.*

Obrigado a quem me disse todas as palavras que não estão a cores!! (:

(Texto de: Sara Diz [tudo o que está a cores] Anónimo [tudo o que está com letra normal], Citação do texto de: Sara Diz, Fotografia: eu xD, Citação na fotografia de: Sara Diz)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

UmZero.UmDois.DoisZeroZeroOito

Esse misto de sentimentos que em mim despertaste
Foi levado pelas ondas por arraste
Esse sol pelas nuvens escondido
Foi o caminho que dei por perdido
Esse néctar de felicidade
Foi consumido sem prazo de validade
Esse jardim que não foi regado
Deu por certo este amor cegado.
Esses lençóis em que te deitaste
Deitei-os fora para que não me provocassem mais desgaste
Essa flor que floriu
Murchou e nunca mais se abriu.
Essa dor que hoje sinto
e que minto,
ao dizer que não me afecta,
escondeu-se,
à espera de não mais ser descoberta.


# nêê..

sábado, 6 de dezembro de 2008

02Dez2008


Foi no banho que me apeteceu escrever-te – pensara Laila quando o calendário contava dois dias do início do último mês do ano. Estava sentada na sua cama, pensando em quem já não pensava, desta forma, faz tempo. Estava encostada à cabeceira com a pequena lâmpada a seu lado, naquela posição podia deslumbrar-se com os reflexos azuis escuros e claros, vermelhos e amarelos vindos dos vidrinhos da fraca luz do seu candeeiro projectados no lençol.
Não tinha dúvidas que aquilo que lhe queria dizer não era muito, mas pelo facto de nunca o ter feito directamente, vira que valia a pena escrevê-lo. Eram estranhos, os seus pensamentos, por um lado achava-se patética pois nunca soubera de toda a verdade que tinha a ver com Pedro, que tinha a ver com ambos, mas por outro, queria agradecer-lhe pelas coisas que sabia dos dois, por aquilo que sempre lhe importara.
Vou dar-te esse tal obrigada que está entalado na minha garganta, há anos: obrigada então por todo o amor que me deste, ainda que me tivesse parecido estranho pelas tuas atitudes incompreensíveis. – Laila, nos seus lamentos, continuava; perguntava-se o porquê de não saber de tantas coisas desde o início… Como ele, ninguém a tinha amado, nem mesmo depois, pois Pedro nunca lhe apontara o dedo, por mais que discutissem ou por mais tempo que passassem sem se falar, tal e qual no dia em que ela lhe decidiu escrever. Pedro sempre fora um porto de abrigo, sempre consenguira sentir uma maior força quando estava nos braços dele. Ao lado do amante, ninguém era capaz de lhe fazer mal, e isso deixava, em Laila, uma sensação simpática de um passado agradável por muitos jeitos.
Gostava de acreditar que tu, Pedro, nesta possível ilusão, me amaste, discutiste comigo, ficaste triste, deixaste-me triste, e mesmo assim continuaste a amar, não só a tua Laila pequenina, mas a Laila em que me tornei. – Ela sabia que lhe tinha causado uma série de estragos e pedia-lhe o perdão dos mesmos. Por mais que ele esperneasse, ela também sabia que, mais tarde ou mais cedo – mas seria mais fácil, mais tarde –, ele lhe iria acenar com o sorriso do reencontro, chamemos-lhe assim, e não iria fazer a cara feia que Laila havia visto poucos meses antes.
Deixava-lhe claro: ainda que ele a tivesse julgado, não a atormentara até hoje como outros que, tempos antes, lhe pareceram mais sérios e sensatos que ele. Ela não era perfeita, não é perfeita, e sabe-o. Sónia, a sua melhor amiga, há poucos dias dissera-lhe “Tu és vida!”, e Pedro tinha sido isso mesmo: a vida de Laila, assim como ela a dele, arrisca nas suas memórias. O problema era que, nem um, nem outro, souberam aproveitar e viver juntos; estavam cegos!
Hoje dói pensar que o nosso amor-perfeito cresceu sobreposto a mentiras, mágoa e linhas encruzilhadas. Fiz de conta que não o via, que não o sabia e acabei por ignorar momentos importantes, mas as tuas razões, por vezes eram tão obscuras que eu até tinha medo. – Desculpava-se Laila. Ela precisava tanto de crescer! Mas Pedro nunca teve calma com ela.
A única coisa que a satisfazia era a recordação que tinha do seu sorriso: cada vez mais alegre e mais sedutor. Recordava, então, o sorriso do homem que viveu no seu sonho; recordou-o numa eterna saudade, numa memória que jamais queria transformar em mágoa; Laila não o deixava porque assim seria mais poético.
Ela ainda o ama, não da forma activa de antes, mas de uma forma nostálgica. Esse tal amor nostálgico, Laila nunca experimentara com mais nenhum outro. Pedro era das poucas pessoas por quem Laila só queria as boas recordações e essas, essas apareciam-lhe a qualquer instante, em qualquer parte do Mundo.

E por mais que tenha pena de nós, até enquanto amigos, sinto-me melhor ao lembrar-me desse teu tal sorriso. – Findava ela a carta, desenhando um coração com a sua caneta preta e beijando-a de uma forma demorada.


(Fotografia e Texto de Alexandra Nunez, Schnee Käsekuchen)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

És não sendo

És o sol que me ilumina e és trovoada que me escurece
És aquele que me aquece e me congela
És a luz que me ilumina e és o lugar mais sombrio
És o meu arco-íris depois do dia chuvoso
És o vermelho pintado de preto
És a realidade que virou sonho
És pois o sonho por te querer e o pesadelo por não te poder ter
És o sono do qual tive de acordar
És o meu sorriso, e és aquele que me faz gritar
És o que mais me faz feliz e és o que mais me magoa
És a felicidade e a tristeza conjugadas num só
És tudo sem puderes ser alguma coisa
És a brisa fresca num dia calorento
És o ar quente do dia frio
És a resposta a tudo e és a pergunta à qual não sei responder
És o risco que tenho prazer de arriscar
És a pedra que não quero chutar
És o caminho que quero seguir embora sejas "o exemplo de tudo aquilo que não percebo".

# nêê..

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Seguir ou não seguir..

Há imenso tempo que não escrevo, que não tenho cabeça para fazer nada, que não penso em mais nada. Na minha cabeça só reside um único ser, inconfundível, único.

São dias e dias a lutar contra o querer, a habituar-me ao rumo que a vida escolheu para mim. Neste planeta frio e solitário me encontro, a tentar achar o meu lugar. Perguntas aparecentemente tão simples atormentam-me dia após dia .. Quem sou? .. O que faço aqui? .. Quem é suposto eu ser? .. O que é correcto fazer? .. Perguntas não me faltam, das respostas não posso dizer o mesmo. A pergunta mais frequente, é aquela que por muito que me expliquem, nunca hei-de conseguir entender o seu significado, pergunta essa que é "Porquê? Porquê que teve de ser assim?". Mas ninguém me sabe responder, ninguém sabe como responder, tenho de viver com a dúvida, e, obrigada a seguir em frente, vou, com o que fica para trás por resolver. Mas da dor mais profunda já consegui abdicar de algumas lágrimas ao mentalizar-me que mais vale lutarmos juntos por algo que sempre houve, e que sempre sobreviveu a tudo, a amizade, que, lutar sozinha por algo que nos atingiu com tamanha intensidade, mas que levaste contigo, que voou com o vento do temporal que tem estado lá fora, nessa tua rota que o destino só tu sabes, à qual te entregaste.

Dia após dia, passo após passo, chuto uma pedrinha pequenina, um grãozinho de areia, vou sobrevivendo ou fazendo por isso .. Cabeça erguida, sim, mas um vazio do pior cá dentro. A cabeça sabe o que fazer, o coração não deixa. Prende-me na sua teia, uma pastilha agarrada aos sapatos que não quer sair .. E mais uma vez pergunto "Porquê?". Não consigo entender, mas tenho de entender, não quero seguir, mas tenho de seguir ..
# nêê..
Foto por: Raquel Rodrigues, o3.Agosto.o8, Marinhais

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Questionário sobre o «Sermão de Santo António aos Peixes»

Testa os teus conhecimentos sobre o «Sermão de Santo António aos Peixes», do padre António Vieira, através deste exercício realizado em Excel.

Vai respondendo às perguntas de acordo com as instruções e, no final, observa que resultados obtiveste e quais os teus pontos mais fortes e mais fracos.

Questionário sobre o período barroco e o «Sermão de Santo António aos Peixes»

Podes resolver um questionário sobre as características do período barroco e o «Sermão de Santo António aos Peixes», do padre António Vieira, através desta ligação.

O «Sermão de Santo António aos Peixes» em análise - ficheiros de som


O «Sermão de Santo António aos Peixes» em podcast, para ouvir em MP3.
Carrega nos símbolos para ouvir ou descarregar os ficheiros (botão da direita do rato e escolher a opção Guardar destino como).


Capítulo 1 do «Sermão de Santo António aos Peixes» - perguntas e respostas.

Capítulo 2 do «Sermão de Santo António aos Peixes» - perguntas e respostas.

Capítulo 3 do «Sermão de Santo António aos Peixes» - perguntas e respostas.

Imagem do filme de Manuel de Oliveira «Palavra e Utopia», em que se pode observar o púlpito de onde se pregava à congregação.


Capítulo 5 do «Sermão de Santo António aos Peixes» - perguntas e respostas.

Capítulo 6 do «Sermão de Santo António aos Peixes» - perguntas e respostas.

Estrutura do «Sermão de Santo António aos Peixes».

Análise geral e progressão do «Sermão de Santo António aos Peixes».

MP3 para ouvir acerca do Barroco e do padre António Vieira


O barroco em podcast, para ouvir em MP3.
Carrega nos símbolos para ouvir ou descarregar os ficheiros.



O Barroco na arquitectura, na pintura e na arte em geral.

O Barroco na literatura.

O sermão no século XVII.

Interior da Igreja de S. Roque, em Lisboa. Note-se o púlpito, à esquerda, a meio da parede, numa posição elevada, de onde se pregava à congregação.


A acção da palavra.

Padre António Vieira.

O ideal missionário em Padre António Vieira.

Os jesuítas e a sua acção no século XVII.

Nota: Seguir-se-ão ficheiros sobre o «Sermão de Santo António aos Peixes».

Um curto abecedário do Barroco e algumas figuras de estilo

Bach
- Músico do período barroco que se distinguiu pela forma particular de interpretar o órgão e pela introdução da voz feminina na Igreja.

Conceptismo
- Complexo jogo de conceitos, ou seja, de ideias apresentadas com grande subtileza, com recurso a metáforas, paralelismos, jogos de palavras, alegorias e antíteses.

Cultismo
- Processo característico da literatura barroca que consiste no uso de construções sintácticas e jogos de palavras, numa exibição de virtuosismo retórico, de forma a impressionar o leitor.

Deleite
- Sinónimo de prazer aquando da leitura (era o que buscavam os poetas barrocos).

Efemeridade da vida humana
- Tema recorrente da poesia barroca.

Fénix Renascida ou Obras dos Melhores Engenhos Portugueses
- Cancioneiro seiscentista, editado em cinco volumes, compilada por Matias Pereira da Silva.

Galhofeira (atitude)
- Posição trocista face a aspectos diversos do quotidiano.

Imagem
- Elementos a partir dos quais é construído o poema e alvo de especial atenção antes do estudo do poema “À fragilidade da vida humana”.


À fragilidade da vida humana
Esse baixel nas praias derrotado
Foi nas ondas narciso presumido;
Esse farol nos céus escurecido
Foi do monte libré, gala do prado.

Esse nácar em cinzas desatado
Foi vistoso pavão de Abril florido;
Esse Estio em vesúvios incendido
Foi zéfiro suave, em doce agrado.

Se a nau, o Sol, a rosa, a Primavera
Estrago, eclipse, cinza, ardor cruel
Sentem nos auges de um alento vago,

Olha, cego mortal, e considera
Que é rosa, Primavera, Sol, baixel,
Para ser cinza, eclipse, incêndio, estrago.

Francisco de Vasconcelos in Fénix Renascida


José Merengelo de Osan
- Nome da pessoa que compilou o Postilhão de Apolo.

Morte
- Realidade suavizada pela palavra “repousa” no poema “À morte de F.” (eufemismo).


À morte de F.
Esse jasmim, que arminhos desacata,
Essa aurora, que nácares aviva,
Essa fonte, que aljôfares deriva,
Essa rosa, que púrpuras desata;

Troca em cinza voraz lustrosa prata,
Brota em pranto cruel púrpura viva,
Profana em turvo pez prata nativa,
Muda em luto infeliz tersa escarlata.

Jasmim na alvura foi, na luz Aurora,
Fonte na graça, rosa no atributo,
Essa heróica deidade que em luz repousa.

Porém fora melhor que assim não fora,
Pois a ser cinza, pranto, barro e luto,
Nasceu jasmim, aurora, fonte, rosa.

Francisco de Vasconcelos in Fénix Renascida



Nácar
- Camada interna da concha; por vezes, aparece com o significado de «rosa».

Ornamentação
- Sinónimo de excesso de decoração, característica típica do discurso barroco.

Postilhão de Apolo
- Cancioneiro seiscentista, publicado em dois volumes, compilado por José Merengelo de Osan.

Quotidiano (sátira)
- A poesia barroca critica ou zomba de determinados aspectos do dia–a-dia.

Retórica
- Nome pelo qual o uso das figuras de estilo é também conhecido (a arte de usá-las).

Sinonímia
- Palavras que têm um significado semelhante. Ex: baixel/nau e farol/sol (Existente no poema barroco “À fragilidade da vida humana”).

Tempo
- Um dos temas principais da poesia barroca (a passagem do tempo).

Usos e Costumes (crítica)
- A poesia barroca, e sobretudo a narrativa, para além de abordar temas profundos também critica a sociedade do seu tempo.

Visualismo
- Característica do barroco realçada por formas verbais como “Olha”, no soneto “À fragilidade da vida humana”:

XVII
- Século por excelência do período barroco.

ALGUMAS FIGURAS DE ESTILO OU DE RETÓRICA

Alegoria
- É a corporização de uma realidade abstracta, normalmente conseguida a partir de um jogo de comparações, imagens e metáforas. A literatura portuguesa tem recorrido à alegoria em todas as épocas. São disso exemplo as figuras de Roma e do Tempo, no Auto da Feira, de Gil Vicente; a figura do polvo, no Sermão de Santo António aos Peixes, do padre António Vieira;

Anáfora
– Repetição de palavra ou expressão em início de período, frase ou verso.

Ex: “Quantos, correndo (...) quantos, embarcados (...) Quantos, navegando (...)” (Cap.III, Sermão de Santo António aos Peixes) “Louvai a Deus, (...) louvai a Deus (...)” (Cap. VI, Sermão de Santo António aos Peixes)

Antítese
– Figura que põe, lado a lado, palavras ou ideias, antagónicas.

Ex: Céu/ Terra; Bem/ Mal; Céu/ Inferno; Dia/ Noite; Homens/ Peixes.

Apóstrofe
– Interrupção do discurso para interpelar pessoas presentes ou invocar, sob forma exclamativa, pessoas ausentes, mortas, entes fantásticos ou coisas inanimadas.

Ex: “Olhai, peixes lá do mar e da terra (...)” (Cap. IV, Sermão de Santo António aos Peixes) “Vê, voador (...)” (Cap.V, Sermão de Santo António aos Peixes) “Peixes, dai muitas graças a Deus (...)” (Cap. VI, Sermão de Santo António aos Peixes)

Comparação
– Figura por meio da qual se confrontam duas realidades distintas para fazer realçar a sua semelhança.

Ex: “O polvo com aquele seu capelo na cabeça parece um monge, com aqueles seus raios estendidos, parece uma estrela (...)” (Cap. V, Sermão de Santo António aos Peixes).

Enumeração
– Apresentação sucessiva de vários elementos (frequentemente da mesma classe gramatical).

Ex: “(...) na terra pescam as varas (...) pescam as ginetas, pescam as bengalas, pescam os bastões (...)” (Cap. III, Sermão de Santo António aos Peixes).

Exclamação
– Figura pela qual se exprimem sentimentos de admiração, espanto, alegria, susto, indignação, sob forma exclamativa.

Ex: “Oh alma de António, que só tivestes asas e voastes sem sem perigo, porque soubestes voar para baixo e não para cima!” (Cap.V, Sermão de Santo António aos Peixes).

Gradação
– Encadeamento de palavras ou ideias numa ordem progressiva (ascendente) ou regressiva (descendente).

Ex: “(...) da boca ao anzol, do anzol à linha, da linha à cana e da cana ao braço do pescador.” (Cap. III, Sermão de Santo António aos Peixes)
“ Come-o o meirinho, come-o o carcereiro, come-o o escrivão, come-o o solicitador, come-o o advogado (...)” (Cap. IV, Sermão de Santo António aos Peixes).

Hipérbole
- Figura de estilo que consiste na utilização de termos ou expressões que exageram a realidade.

Imagem
- É a representação sensível, animada e colorida da ideia numa palavra, frase ou parte de um texto. A comparação e a metáfora reunidas originam frequentemente imagens vivas e expressivas.

Interrogação
– Pergunta formulada, não para se obter uma resposta, mas para realçar as ideias do discurso.

Ex: “Parece-vos bem isto, peixes?” (Cap. IV, Sermão de Santo António aos Peixes)“Fizera mais Judas?” (Cap.V, Sermão de Santo António aos Peixes).

Metáfora
– Comparação abreviada pela omissão da conjunção comparativa.

Ex: “(...) às águias que são os linces do ar (...) e aos linces, que são as águias da terra (...)” (Cap. III, Sermão de Santo António aos Peixes)

Zeugma
- Omissão de um termo habitualmente referido na frase anterior:
Jasmim na alvura foi, na luz Aurora [foi],
Fonte na graça [foi], rosa no atributo [foi],

Matriz do teste de Dezembro

A matriz do teste de Dezembro pode ser vista aqui. E já foi enviada para os endereços de correio electrónico de todos os alunos.


sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Na Noite!

# # #


Mais uma noite sem dormir!
Penso na noite seguinte
E nas que já passaram.
Vou à janela, miro o céu estrelado
E ali passos horas a fio.
No parapeito de minha varanda,
Sentada sobre uma cadeira confortável
Já habituada a me ter,
Tento encontrar a estrela mais bonita,
A estrela mais perfeita.
Já lá vão noites, incontáveis,
Noites passadas em claro, no escuro da noite.
Contudo noite após noite penso se a vou encontrar,
E procuro, procuro,
Procuro todas as noites
Mas nada encontrei.
Agora sim tenho a certeza,
A certeza de poder afirmar,
Afirmar que a estrela mais bonita
Que tanto procurei
Que tantas noites não me deixou dormir,
Está aqui na terra,
Está aqui pertinho.
Quem mais bonito que tu
Para seres a minha estrela preferida,
A minha estrela perfeita.



E assim na noite escrevi para ti. <3
...
...





... Fotografia da Autoria de: Sara Diz


### Autora do Poema: Sara Diz ^^

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O Barroco

barroco, s. m., estilo próprio das produções artísticas e literárias, que ocorreu aproximadamente entre os fins do séc. XVI e os meados do séc. XVIII, e que se caracteriza pela pompa ornamental, pelo preciosismo decorativo, pelo floreado e pelos conflitos entre o espiritual e o temporal, entre o místico e o terreno; barroca; cova; barranco; pérola de forma irregular.

A palavra "barroco", como a maioria dos períodos ou designações de estilo, foi inventada por críticos posteriores, e não pelos artistas do século XVII e começos do século XVIII. O termo original é português e designa um pérola irregular ou uma jóia falsa.

Actualmente, o termo "barroco" pode ser utilizado para caracterizar de forma pejorativa trabalhos artísticos ou de artesanato excessivamente ornamentados, tal como muitas outras vezes se emprega o termo "bizantino" como referência a tarefas demasiado complexas, excessivamente obscuras ou demasiado confusas.

Na realidade, o barroco exalta valores através da utilização de metáforas e alegorias, frequentes na literatura deste período, e procura maravilhar e causar espanto, tal como no Maneirismo, muitas vezes por meio da utilização de artifícios, sejam eles de linguagem ou pormenores artísticos. Um dos temas privilegiados é o tormento psicológico do Homem, tendo uma boa parte das suas obras seguido a temática religiosa, já que a Igreja Católica Romana era o principal «cliente» dos artistas e eram religiosos muitos dos escritores desta época, nomeadamente no caso da literatura portuguesa.

Os artistas procuravam a virtuosidade com realismo, tendo uma enorme preocupação com os detalhes (há quem se refira à obra barroca como uma complexidade típica).

Las Meninas, de Velazquez. Clique na imagem para saber mais sobre o quadro.

A falta de conteúdo era compensada através das formas, as quais deviam suscitar no espectador, no leitor, no ouvinte, a fantasia e a imaginação. É um momento em que a arte se encontra menos distante de quem dela pode usufruir, aproximando-se do público de maneira mais directa, diminuindo o fosso cultural que afastava a arte do utilizador, o que, por exemplo, acontecia frequentemente nas igrejas construídas nesta época, quando o luxo aí existente permitia a quem as frequentasse a sensação de pertença, de que também o povo podia agora entrar em ambientes recheados de obras artísticas, apreciá-los e deles usufruir.

Na literatura, encontramos o temática do duplo, a queda que precede a morte, o gosto pelo bizarro, uma enorme obsessão com a morte, porventura originária das inúmeras guerras religiosas que por esta altura abundavam em toda a Europa.

São recorrentes tópicos como o medo da morte, a água corrente que significa o tempo que passa, com ligação à morte simbolizada pela água entre os gregos, romanos e celtas, a metáfora das areias movediças, as formas arredondadas como referência às pérolas irregulares, os reflexos, e a alusão a mitos clássicos como o de Narciso e os «mises en abyme», que na literatura podem surgir sob a forma de textos dentro de textos, os quais reproduzem a história principal em histórias secundárias, tal como o fazem os reflexos entre dois espelhos colocados em frente um do outro, podendo surgir, por exemplo, numa peça de teatro em que um dos personagens representa um actor que representa uma personagem, ou um quadro em que um espelho mostra ao espectador um reflexo da cena que podemos ver pintada.

Para saber mais: História da Arte, O barroco e Wikipédia.

Sobre o quadro: aqui.


Música do período barroco (mistura editada de Pachelbel, Bach e Vivaldi):


Sobre a música do período barroco: aqui.

Uma visão histórica da literatura portuguesa

Uma breve e muito reduzida visão cronológica dos principais autores e obras ao longo da história da literatura portuguesa.










A propósito do texto expositivo-argumentativo

Os textos podem ser classificados em três grandes tipos: narrativos, descritivos e expositivos.

No caso que agora nos interessa, irei aqui deixar algumas considerações acerca do texto expositivo-argumentativo.


Argumento é o raciocínio pelo qual, de uma ou mais proposições, se deduz uma conclusão, raciocínio seguido geralmente pelo orador em apoio da sua tese.

Os argumentos oratórios podem ser directos e indirectos. Os directos têm naturalmente conclusão afirmativa da tese sustentada pelo orador, os indirectos, a sua negação. A totalidade dos argumentos directos têm a denominação de confirmação, fortalecendo eles a tese, mas a dos indirectos, a de refutação, contribuindo estes para a rejeição das objecções do adversário.

Os argumentos constituem a parte essencial dum discurso. Todas as outras partes convergem para ele.

Se na demonstração o acento, a tónica, cai na correcção do raciocínio, na argumentação o elemento principal constitui a eficiência desta perante o auditório, cuja adesão à tese sustentada no discurso é seguida pelo orador.



Aristóteles definiu a argumentação como a «arte de falar de modo a convencer».
Ora, toda a arte tem normas e querer fazer o uso de qualquer arte implica o domínio das suas técnicas. E a arte da argumentação obedece a um trabalho rigoroso que prevê várias etapas: escolher o problema, procurar os argumentos e os contra-argumentos, dispô-los adequadamente, construir um discurso convincente, formular juízos de valor.

E se o discurso argumentativo tem o objectivo de usar bem a palavra para convencer, deve procurar cumprir alguns requisitos fundamentais como a clareza, o rigor, a objectividade, a coerência, a sequência lógica e a riqueza lexical.

Assim, sendo mais práticos, para se elaborar um texto argumentativo, dever-se-á:

– começar por uma introdução em que se apresenta o problema que vai ser objecto do discurso (que ocupa, normalmente, um parágrafo);
– em seguida, construir o desenvolvimento, em que se expõem os argumentos e os contra-argumentos fundamentados com exemplos (o desenvolvimento compreende, pelo menos, dois parágrafos – um para os argumentos e outro para os contra-argumentos);
– para finalizar, a conclusão (de um parágrafo) que deve retomar a afirmação feita na introdução, agora já confirmada ou contrariada.



É importante não descurar a sequência lógica que se pretende que haja entre os parágrafos, implicando que se esteja atento ao seu encadeamento, o que se consegue com a utilização de articuladores de discurso ou de conectores (causa-efeito-consequência, hipótese-solução).

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Deixa-me voltar

Lembras-te como tudo começou?
Éramos simples desconhecidos e em pouco tempo tudo mudou...
Desde aquele momento em que a amizade fluiu,
com segundos, com minutos e com horas surgiu.
Aquele amor que eu hoje sinto por ti,
e só começei a viver apartir do momento em que te vi.
Com o jeito que só tu tens, ensinaste-me a acreditar,
que o amor existe e que vale a pena amar,
pois amar, não é um sentimento inútil sem explicação,
a definição está no nosso coração.
As letras ganharam forma, originaram palavras,
e mais tarde tornaram-se em frases que acreditavas.
Os longos capítulos que foram escritos por nós,
estão agora no mensageiro que os reflecte com a voz.
Passámos tristezas, vivemos felicidades,
entre risos e choros existia a cumplicidade.
Sempre estivemos juntos, caminhámos lado-a-lado,
estiveste sempre presente quando eu precisei de um abraço...
Deste um novo significado à minha existência,
volta para mim, preciso da tua presença!

Aos poucos libertaste o que de melhor há em mim,
e se hoje sou feliz, então devo-te a ti.
Fizeste-me acreditar, acreditanto comigo,
fizeste-me sonhar, sonhando comigo,
és o meu sonho tornado realidade e repito
que me deste um sentido e é por ti que eu vivo.
Dás à perspectiva da vida um sentido de perfeição,
quase que parece realidade, provoca tentação,
pareces um sonho do qual eu não quero acordar,
mas nem tudo é como queremos e tive de despertar...
Agi incorrectamente, magoei-te lentamente,
e olhando para o presente, odeio-o infelizmente.
Sinto a culpa nos ombros, tenho um aperto no peito
e não me quero desculpar, mas ninguém é perfeito.
Impotente, sem força, é assim que me sinto,
um anjo perde as asas quando lhe falta o paraíso.
Mas uma coisa é certa e cada vez anseio mais:
Poder amar-te de perto, para quê haver finais?
Se podemos dar continuação à nossa história,
e sim, estarás sempre na minha memória!
Desculpa o sofrimento, desculpa a dor,
eu quero pagar o mal que fiz com o amor
que reside aqui dentro à espera que me perdoes,
eu só serei feliz, se tu também o fores!

Acontecimentos no meu pensamento ainda estão cá dentro,
Tu tens um talento: Fazes-me feliz a cada momento!
Os sete elementos: smilles, hugs, kiss,
passion, ninho, love, friendship,
deram nome à união que nos rege,
que nos mantém vivos sempre que o mal cresce.
Bem unidos, é assim que nós somos,
e se precisamos um do outro, porquê continuar neste sono?
Vem despertar e viver, vem acordar,
amar como antes, sermos livres e voar.
Dá-me uma opurtunidade, deixa-me mostrar,
que o negativo não vale nem um porcento daquilo que é gostar.
E sempre que uma estrela brilhar, nunca será pouco.
Para tudo ser perfeito e voltar a brilhar,
será que depois de tudo isto me deixarás voltar?


Inês e Gonçalo

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Desisto.

Nas garras do medo fui capturada, não consegui superar a escuridão do caminho que deixei o destino e os sonhos a escolheram por mim. Com uma venda negra nos olhos, cega, segui sem questionar, sem "ai nem ui", pois acreditava que o que importava não era o caminho que escolhiamos, mas que estaríamos sempre juntos, acontecesse o que acontecesse, cada vez mais, cada vez melhor, e isso nunca me fez ponderar o ponto final. Mas enganei-me, depois de tantas vezes ter visto que os sonhos me desiludiam, que a felicidade era possível, depois de tudo pelo que passei, ainda fui capaz de me entregar assim a ti. De corpo e alma, eras tudo, e agora não és nada. Descobri que os sonhos não passam de meras ilusões e que promessas acabam sempre por nunca passar apenas de promessas, e perdem o seu significado. Sempre o mesmo ciclo. Continuo a perguntar-me porquê, porquê que eu acredito que alguem pode ser diferente e mudar uma vida a 360º graus, se as desilusões acabam sempre por acontecer? Estou farta, eu já não me reconheço. Eu quero fugir, é demasiada pressão, não aguento. Desisto.
# nêê..

domingo, 9 de novembro de 2008

Acorda-me quando chegares

Foram 9 meses que pareciam não mais terminar, que não queria que terminassem, em que cada segundo passava a voar, cada momento tinha a capacidade de nos surpreender, de nos deixar boquiabertos com a sua magia, com o desejo que se apoderava e vivia em nós. Um sonho tão real que parecia não ter fim. Eu vivi nas garras do sonho, na gruta que me envolvia pelo desejo de te ter ali, sempre ali. Mas na gruta surgiu um foco de luz, fiquei encadeada e quando olhei para trás havias desaparecido, deixaste a esperança, o sonho, a força de acreditar, o amor. Do ilusionismo em que vivia, apenas ficou a cartola onde guardei tudo aquilo em que acreditava e que não deixo de acreditar. Quero ficar adormecida, pois a vida sem te ver por perto, perde a sua alegria, fica sem interesse, a venda preta já está posta nos meus olhos, acorda-me quando chegares.
# nêê..

Nuvem negra, desaparece!

Sem respiração, sem caminho, sem ar, sem luz, é como me sinto. Sozinha e perdida, à procura de ti mas tudo está nublado, tudo desvanesceu, como uma nuvem negra que pairou sobre nós e o trovão que nos separou, sem mais nem menos, sem dó nem piedade, a sangue frio, sem anestesia. Nunca pensei ser possível sentir-me só no meio da multidão, sorrir por fora e chorar arduamente por dentro, por ter de ser forte. Sinto-me como se não existisse, como um fantasma, invisível é o meu primeiro nome. Não sinto que tenha razão para seguir em frente, embora todos me digam o contrário, mas há algo que me diz que continue a lutar, o meu coração. Ele não quer que desista. Eu tenho sonhos, sonhos esses que juntos construímos, lado a lado. Eu quero-te, vivo no desejo de te ter de novo nos meus braços acordar e sentir-te aqui, junto a mim, como sempre estiveste antes do destino nos ter separado, porque lhe apeteceu. Se eu não acordar amanhã, lembra-te que te amo, que foste tudo, quero que sejas e acredito que voltes a sê-lo.
# nêê..

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O Amor...

Frente a frente a mirar

Vendo seja o que for,

Pelo fogo do olhar

Só pode ser o Amor.

Amor que se adivinha

Após o primeiro beijo,

Lábios colados que dizem

Eu te Amo, eu te desejo.

Num abraço apertado,

Dois Corações se unem,

Descobrindo o Amor,

Nos sentimentos que surgem.

Nessa descoberta do Amor,

Corpos ficando nus

Num desejo ardente,

Pulsação acelerada,

Desejo aumentando,

Fusão de corpos, num só.

O Delírio supremo, a compor

Com loucura que alucina

Uma poesia de Amor


“A Vida é uma constante Aventura, nem sempre fácil de aguentar e sempre muito dura…”

(Fotografia de Sara Diz, fotografada por Alexandra Nunez)
(Texto e citação: Sara Diz)

domingo, 2 de novembro de 2008

Matriz de teste

A matriz do próximo teste pode ser vista aqui. Mas será também enviada para os endereços de correio electrónico de todos os alunos.


sábado, 1 de novembro de 2008

A Ti dedico.


Tens uma imensidão desmedida que me transporta a outros mundos. Mundos ocultos, esses. A música que trazes a meu peito e a meu porto, consola-me; da mesma forma que a Tua beleza me encanta. Olho-Te, mas não sou capaz de Te tocar. Fotografar-Te é impensável, não o sei! O Teu corpo causa desejo a qualquer gente. Porquê? És mistério, nada mais! No fundo também queres tocar o meu corpo. Sinto-o. Mais forte que Tu não consigo ser, mas também não o quero. És sombrio e Amo-Te assim.
Schnee Käsekuchen.
(fotografia e Texto: Alexandra Nunez Duarte)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Curiosidades linguísticas (e não só)

A maneira como o nosso cérebro reage à leitura pode ser testado neste texto em que algumas letras se encontram trocadas.

Pios é:
De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, nao ipomtra a odrem plea qaul as lrteas de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e utmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma ttaol csãofnuo que nsó pdomeos anida ler sem gnderas pobrlmeas. Itso é poqrue nós nao lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.
Cosiruo não?

~ * ~


Outro facto interessante é a maneira como conseguimos descodificar um texto que contenha letras e algarismos e continuar a lê-lo como se apenas fosse constituído por letras:

M473M471C0 (53N54C1ON4L)

4S V3235 3U 4C0RD0 M310 M473M471C0.
D31X0 70D4 4 4857R4Ç40 N47UR4L D3 L4D0
3 P0NH0-M3 4 P3N54R 3M NUM3R05,
C0M0 53 F0553 UM4 P35504 R4C10N4L.
540 5373 D1550, N0V3 D4QU1L0...
QU1N23 PR45 0NZ3...
7R323N705 6R4M45 D3 PR35UNT0...
M45 L060 C410 N4 R34L1D4D3
3 C0M3Ç0 4 F423R V3R505
H1NDU-4R481C05


~ * ~

E também merecedor de atenção é o facto de não sermos capazes de nomear as palavras que se seguem dizendo-as rapidamente e em sucessão, em voz alta, sem nos enganarmos.

Diz então, em voz alta, a cor e não a palavra:

AMARELO AZUL LARANJA

PRETO ROXO VERDE

CINZENTO AMARELO ROXO

LARANJA VERDE PRETO

AZUL ROXO CINZENTO

VERDE AZUL LARANJA

Houve algumas trocas, não?

Isto acontece porque há um conflito entre a parte direita do nosso cérebro, que tenta referir a cor, e a parte esquerda, que tenta referir a palavra.