terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Leituras - recomendações
Deixo aqui uma curta lista de obras de ficção de autores de língua portuguesa, de onde poderão escolher alguns livros para o «contrato de leitura». No final segue também uma lista de poetas portugueses, de entre os que considero mais significativos.
Esta lista não é, de maneira alguma, exaustiva, tendo sido realizada apenas com a intenção de possibilitar uma escolha de obras relativamente fáceis de encontrar em bibliotecas ou em locais de venda ao público. Muitos outros autores e livros ficaram de fora. Servirá, apenas, como indicação complementar à lista que foi fornecida no início do ano lectivo.
Os autores e as obras incluem hiperligações, de modo a permitirem a recolha de informações.
Fica ainda aqui uma lista de 70 livros de literatura estrangeira, que incluem aqueles que devemos ler durante a nossa vida, como muitas vezes se lê por aí.
PROSA (ficção)
Autores do Século XIX:
Alexandre Herculano, Eurico, o Presbítero (romance)
Alexandre Herculano, O Bobo (romance)
Alexandre Herculano, O Monge de Cister (romance)
Almeida Garrett, O Arco de San’Ana (romance)
Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição (romance) – (texto online aqui ) ou qualquer outro do mesmo autor
Eça de Queirós, Os Maias (romance) – ou qualquer outro do mesmo autor
Eça de Queirós, O Crime do Padre Amaro (romance) – ou qualquer outro do mesmo autor
Júlio Dinis, Uma Família Inglesa (romance) – ou qualquer outro do mesmo autor
Autores dos Séculos XX / XXI:
Jorge de Sena, Sinais de Fogo (romance)
Jorge de Sena, Antigas e Novas Andanças do Demónio (contos)
Jorge de Sena, O Físico Prodigioso (novela)
Domingos Freitas do Amaral, Enquanto Salazar Dormia (romance) [edição recente]
Ricardo Adolfo, Os Chouriços São Todos Para Assar (contos) [edição recente]
Vitorino Nemésio, Mau Tempo no Canal (romance)
José Luandino Vieira, Luuanda (romance) – literatura angolana
Aydano Roriz, O Fundador (romance) – literatura brasileira [edição recente]
José Saramago, Ensaio Sobre a Cegueira (romance)
José Saramago, Memorial do Convento (romance)
Fernando Campos, A Casa do Pó (romance)
Fernando Campos, O Cavaleiro da Águia (romance)
Almada Negreiros, Nome de Guerra (romance)
João Aguiar, A Voz dos Deuses (romance)
João Aguiar, Inês de Portugal (romance) [edição recente]
Jorge Amado, Capitães da Areia (romance) - literatura brasileira
Jorge Amado, Gabriela Cravo e Canela (romance) - literatura brasileira
Jorge Amado, Tieta do Agreste (romance) - literatura brasileira
Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos (romance) - literatura brasileira
Mário-Henrique Leiria, Contos do Gin-Tonic (contos)
Mário-Henrique Leiria, Novos Contos do Gin (contos)
Sophia de Mello Breyner, Contos Exemplares (contos)
Agustina Bessa Luís, A Sibila (romance)
Lídia Jorge, O Dia dos Prodígios (romance)
Lídia Jorge, A Instrumentalina (conto)
Pedro Paixão, Ladrão de Fogo (romance)
Pedro Paixão, Muito, Meu Amor (romance)
António Lobo Antunes, Eu Hei-de Amar uma Pedra (romance) [edição recente]
José Rodrigues dos Santos, A Filha do Capitão (romance) [edição recente]
José Rodrigues dos Santos, O Codex 632 (romance) [edição recente]
José Cardoso Pires, Balada da Praia dos Cães (romance)
Álvaro Guerra, Café República (romance)
Álvaro Guerra, Café Central (romance)
Álvaro Guerra, Café 25 de Abril (romance)
José Rodrigues Miguéis, O Milagre Segundo Salomé (romance)
POESIA
Autores do Século XIX:
- Almeida Garrett
- Alexandre Herculano
- Antero de Quental
- Cesário Verde
Autores dos Séculos XX / XXI:
- Fernando Pessoa
- Mário de Sá-Carneiro
- Almada Negreiros
- Florbela Espanca
- Mário Cesariny
- Alexandre O’Neill
- António Maria Lisboa
- Jorge de Sena
- José Gomes Ferreira
- Vitorino Nemésio
- Herberto Helder
- Carlos de Oliveira
- Eugénio de Andrade
- Natália Correia
- Ruy Belo
- Rui Knopfli
- António Ramos Rosa
- Ruy Cinatti
- Luiza Neto Jorge
- Fiama Hasse Pais Brandão
- Pedro Tamen
- António Osório
- Joaquim Manuel Magalhães
- João Miguel Fernandes Jorge
- Helder Moura Pereira
- Daniel Filipe
- Manuel Alegre
- David Mourão-Ferreira
- Al Berto
70 LIVROS PARA LER ANTES QUE SEJA TARDE...
1. Orgulho e Preconceito - Jane Austen
2. O Senhor dos Anéis - JRR Tolkien
3. Jane Eyre - Charlotte Bronte
4. Harry Potter - JK Rowling
5. Não Matem a Cotovia - Harper Lee
6. O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde
7. O Monte dos Vendavais - Emily Bronte
8. 1984 - George Orwell
9. Os Reinos do Norte - Philip Pullman
10. Grandes Esperanças - Charles Dickens
11. A Idade da Inocência - Edith Wharton
12. Diário de um Louco - Nikolai Gogol
13. Catch 22 - Joseph Heller
14. A Laranja Mecânica - Anthony Burgess
15. Rebecca - Daphne Du Maurier
16. Boneca de Luxo - Truman Capote
17. Blade Runner - Perigo Iminente - Philip K. Dick
18. Uma Agulha no Palheiro - JD Salinger
19. Mulherzinhas - Louisa M Alcott
20. Ligações Perigosas - Choderlos de Laclos
21. E Tudo o Vento Levou - Margaret Mitchell
22. O Grande Gatsby - F Scott Fitzgerald
23. Oliver Twist - Charles Dicken
24. Guerra e Paz - Léon Tolstoi
25. Orlando - Virgina Woolf
26. Orgulho e Preconceito - Jane Austen
27. Crime e Castigo - Fyodor Dostoyevsky
28. As Vinhas da Ira - John Steinbeck
29. Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll
30. Nossa Senhora de Paris - Victor Hugo
31. Anna Karenina - Léon Tolstoi
32. David Copperfield - Charles Dickens
33. O Cão dos Baskervilles - Arthur Conan Doyle
34. Emma - Jane Austen
35. Persuasão - Jane Austen
36. Frankenstein - Mary Shelley
37. O Livro da Selva - Rudyard Kipling
38. Os Despojos Do Dia - Kazuo Ishiguro
39. O Talentoso Mr. Ripley - Patricia Highsmith
40. O Triunfo dos Porcos - George Orwell
41. Cem Anos de Solidão - Gabriel Garcia Marquez
42. O Senhor das Moscas - William Golding
43. Sensibilidade e Bom Senso - Jane Austen
44. A Suitable Boy - Vikram Seth
45. The Shadow of the Wind - Carlos Ruiz Zafon
46. Admirável Mundo Novo - Aldous Huxley
47. Amor nos Tempos de Cólera - Gabriel Garcia Marquez
48. Ratos e Homens - John Steinbeck
49. Lolita - Vladimir Nabokov
50. O Conde de Monte Cristo - Alexandre Dumas
51. Pela Estrada Fora - Jack Kerouac
52. Judas o Obscuro - Thomas Hardy
53. Moby Dick - Herman Melville
54. Oliver Twist - Charles Dickens
55. Dracula - Bram Stoker
56. A Campânula de Vidro - Sylvia Plath
57. Germinal - Emile Zola
58. A Feira das Vaidades - William Makepeace Thackeray
59. Contos de Natal - Charles Dickens
60. Madame Bovary - Gustave Flaubert
61. Coração das Trevas - Joseph Conrad
62. O Principezinho - Antoine De Saint-Exupery
63. A Letra E scarlate - Nathaniel Hawthorne
64. A Ilha do Tesouro - Robert Louis Stevenson
65. A Sangue Frio - Truman Capote
66. Os Três Mosqueteiros - Alexandre Dumas
67. Hamlet - William Shakespeare
68. Charlie e a Fábrica de Chocolate - Roald Dahl
69. Os Miseráveis - Victor Hugo
70. Retrato do Artista Quando Jovem - James Joyce
domingo, 21 de dezembro de 2008
"Tinha de ser"
Já é mundialmente conhecido o meu gostinho por hip hop tuga (upa upa!). Não me diz nada e continuo a achar que se deviam deixar pela escrita, mas é a minha opinião. Mas.. Há uns meses atrás, quando estava a falar de rock e hip hop com um amigo, ele mandou-me uma música que, na altura, não lhe achei piada nenhuma, não me disse nada.. Mas hoje, por um mero acaso, ouvi-a e gostava de a partilhar...
A música intutulada "Tinha de ser", do Xeg e do New Max, dos Expensive Soul..
[Vou cortar algumas partes]
Não sei se é bom ou não termos tomado esta desisão
Da minha parte já não dava para aguentar a situação
Enfim…eu acho que só dava para ser assim
Por outro lado a tua perca faz-me ver como eras importante para mim
Lamento as discussões, as confusões em que caímos
Às vezes temos duas opções e pouco tempo para decidirmos
Nunca é bom separarmo-nos com quem foste tão fundo
Quem irradia de ternura a parte mais escura do teu mundo
Tudo o que dava para dividir, por nós foi dividido~
Alegrias, tristezas, até os medos mais escondidos
Qualidades, defeitos, ódios, afectos,
Dá a maior dor no peito quando lemos os nossos projectos
Viver junto, ter filhos, como quase toda a gente
Como o que o amor sentíssemos nessa altura fosse durar para sempre
Sem pensamentos interesseiros…apenas puros e verdadeiros
E sempre nos respeitamos mutuamente como parceiros
Sem segundas intenções, entre nós tudo era claro
Sem truques, nem invenções o que hoje em dia é raro
Umas conversas, promessas, [******** ******* * *********]
Um grande amor quando acaba, parte o coração em peças
O que se pode fazer, quando nada há a ser feito?
O destino marca o ritmo e nós dançamos a seu jeito
Por entre tangos e salsas, fandango, rumbas e valsas
Umas em salões, outras em pedras descalças
Toda a vida é uma metáfora entre o pensamento e a realidade
Em distinguir uma da outra é que está a dificuldade
Quero que continues a sonhar e realizes os teus sonhos
Mesmo que estejamos separados desejo-te um futuro risonho
E tu mereces concretizar tudo aquilo que me falavas
Eu sei que tu sabes que é com carinho com que te escrevo estas palavras
Não sei se ainda me amas, mas tenho a certeza que me amavas
Assim quer como eu a ti, quer quando rias ou choravas
[****] diz-me onde falhei, eu volto atrás
Se é tão bom viver contigo, então onde estas?
[****] diz que não sonhei, nós somos iguais
Porque o dia hoje é noite e amanhã não há mais
Recordo a noite em que começamos, do teu cheiro, do teu sabor
[** ******** *** *** ******* **** * ** ****** ** *** ******* ****]
[******-** *** *** ******** ***** ** *** ** ** ******** ******]
Até que eu te deixei no comboio, parece que o mundo ia acabar
Daquele vazio, o infinito, aquelas ânsias que sentia
Como se fosse o último dia e o mundo acabasse ali
Era tudo tão pequeno, só isso era intenso
E às vezes o que eu sinto sobrepõe-se ao que eu penso
Já pensei pedir desculpas, mas se alguma vez te magoei
Foi ao ser sincero contigo, a dizer tudo o que pensei
Foram discussões e tolerância, falta de tempo e distância
Pequenos pormenores passaram a ter grande importância
Lembraste quando eu te convidada para sair?
Tu dizias: “não posso”
Não conseguias resistir e o mundo inteiro era nosso
Não havia trabalhos nem exames, responsabilidades nem stress
[******** **** **** * ****** * ******* *** *****]
Era tudo tão bom, tipo tavamos de férias
Lembraste quando me dizias: “ hoje não vale conversas sérias”?
Lembraste como eras chata e as birras que fazias
Só porque eu não te via há apenas dois dias
Quem diria que um dia isso tudo fosse desaparecer
A paixão tapou os problemas que o amor não foi capaz de resolver
Às vezes o que parece consistente nem sempre resulta
Também é inútil tentarmos ver de quem foi a culpa
Porque não se trata de culpa mas sim de sentimentos
Que se foram perdendo e desgastando com o tempo
Foram mais de 2 anos de amor, [****] e planos
Imagina o tronco de uma árvore que à medida que cresce
Se vai dividindo em ramos, cada um para o seu lado
Mas tudo o que vivemos por mim será recordado
Até ao dia em que os nossos caminhos se separaram
Eu acho que há sempre carinho entre duas pessoas que se amaram.
Espero que tenham gostado, para mim passou a ter um significado especial.. Diz-me bastante.
sábado, 20 de dezembro de 2008
Um poema sobre o Natal
Para quem gostar, aqui fica um poema de Alberto Caeiro, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, intitulado:
Poema do Menino Jesus
Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas –
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.Depois fugiu para o Sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar para o chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou – "Se é que ele as criou, do que duvido."
-"Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
M-D :D
Obrigada por me teres lançado a bóia! Embrenhada nos meus, por vezes trémulos e inibidos, pensamentos negativos, não vi qual seria o meu destino. Já passara o nível das águas do mar, o nível da minha cabeça quando ma lançaste. Porque saíra eu para fora de pé?! Porque não ouvira eu os outros quando me tentavam aliciar a voltar às douradas areias?! Tu foste mais firme: em vez de um grito, volta Xana, a maré está a levar-te, tu não tiveste medo de te molhar. Eu estava cega, estava surda e, ainda assim, lançaste-ma ao mar. Ao meu mar. Naquele momento, tinhas sido o meu maior inimigo: por vezes a grandiosidade deste mar é assim; primeiro suga-nos o racional e o resto vai de caminho, sem medidas.
Esperneei, gritei contigo e o mar continuava a chamar-me: a maré que vazara o meu coração e levara tudo aquilo em que acredito puxava-me para um lado; tu, que já me tinhas a mão agarrada, puxavas para o outro. Ganhaste este jogo de forças e finalmente fizeste com que voltasse a sentir o quente do chão; o firme que já não era eu!
De facto, destes mares, cada um tem o seu, é como um vício íntimo, uma queda por um abismo apetecível; e o meu é uma apatia imensa… Já tenho vindo a experimentar, por tempos e tempos, este meu mar que atraiçoa, e só tu me fizeste ver o tamanho do seu egoísmo e da sua hipocrisia.
Lançaste-me a bóia, como um estalo gélido. Tiraste-me de lá e nem tinhas motivos para o fazer. Então, e mais uma vez, pela última vez, pedi a uma estrelinha do mar que viesse ao mundo dos Homens dizer-te Obrigada por mim!
(fotografia e texto de Alexandra Nunez [Schnee Käsekuchen], em http://xxpaodeformaxx.blogspot.com)
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
TIREM-ME DAQUI!
Eu não percebo porquê que não consigo simplesmente seguir em frente, e acabou! Eu não compreendo porquê que, apesar de ter sido extremamente fantástico tudo o que junto passamos, sinto que não vivemos nem metade daquilo que poderiamos ter vivido, e ainda sinto que podia ter mudado tanta coisa que não mudei, que não consegui mudar, e que se tivesse mudado, hoje eu não estaria assim, hoje não estarías ai, estarias aqui, hoje não eramos eu e tu, seriamos nós. Eu já nem sei o que sinto. Sei que tenho cabeça tronco e membros, mas apenas sinto o coração, apesar de sentir que não o sinto. Confuso? Pudera, não existe outra palavra que melhor me descreva. Eu não sei o que queres, não sei o que é suposto eu pensar com as tuas atitudes, que me levam ao desespero, por vezes mostras que tens saudades, que também te arrependes, que também gostavas de me dar a opurtunidade que eu te quis dar e tu não deixaste, como no momento asseguir mudas completamente, deixo de te sentir "meu" (já nem tenho a coragem de usar essa palavra sem ser entre aspas). Passas então a irritar-me, por não te perceber, por não saber o que queres, e principalmente, por não saber como ficar, como reagir. Eu sei que podiamos ter tudo, podiamos fugir, abstrair-nos, ficar no nosso proprio mundo que haviamos construido, cercado pela fortaleza para onde mandamos todos os nossos medos, inseguranças, coisas que nos magoavam. Mas cada vez vieram mais coisas más e piores, e como dizes, a fortaleza não foi suficientemente forte, não aguentou, caiu, desmorenou. Mas eu continuo a perguntar-me o porquê! Eu sei, eu sei que isto podia ser apenas mais uma fase que juntos ultrapassariamos! Eu sei que, mais uma vez, como sempre fizemos, conseguiamos usar as coisas boas para vencer as más, pois as más não valiam nem um por cento daquilo que fomos um para o outro. Daquilo que eu te fiz viver, daquilo que me fizeste viver, daquilo que vivemos juntos, de tudo aquilo e de todos aqueles que ultrapassamos para ficarmos juntos. E conseguimos uma vez, sei que conseguiamos segunda. Mas não quiseste. Porquê??? É assim um texto' é assim uma VIDA!

Agora a Sara, vai vir a baixo… Pela milésima vez! :(
Pela mesma razão, pela mesma coisa, pela mesma pessoa, ODEIO ISTO, sinto-me Impotente pela primeira vez não conseguir reagir como sempre consegui fazer. Sinto-me Presa sem me conseguir mexer, sem me conseguir levantar, CAÍ num Abismo, e não encontro um caminho de volta, uma SAÍDA... =(
Porquê choras? Eu choro quando me sinto injustiçado, eu choro quando perco alguém que amo. Tens de ver as coisas para ti! Abre os olhos!
Choro, choro como nunca chorei por ninguém, principalmente por esta razão, em 17 anos, choro ao ponto de ter de me levantar porque fico sem AR, por não consigo respirar. Choro ao ponto de não poder mais, de cair e não me levantar, e ali ficar até ganhar força para reagir, por pouco tempo que seja.
Eu não sei o que dizer, não sei o que fazer. Sara, vive cada dia como se fosse o último. Tu desejas ser feliz. Tenta sorrir num momento mau, tenta sorrir quando não te dão o que queres! Sorri para mim, para eu sorrir também.
Sempre vivi cada momento como se fosse o último, mas como posso seguir a vida se deixei de Viver. O que tinha de bom em mim a alegria, foi, perdeu-se, morreu! Desejo ser feliz, mas estou presa e não me liberto, tento dar um sorriso sincero com vontade, mas não tenho forca suficiente para o fazer, não tenho forca para nada.
Sabes quando e que me apercebi que me estava a ir a totalmente a baixo, como nunca fui?
Foi quando?
De um momento para o outro dei por conta que eu não era mais eu, a Sara de alma morreu, e neste momento só tenho vontade de morrer também de corpo, fugir ou desaparecer, para longe de olhares que me conhecem. Perdi a vontade de tudo, até de Viver. Eu, eu já não acho nada.
Tu não precisas de achar, tu sabes que isso não se justifica, sabes que tens de sair disso.
Eu não sei de mais nada, eu já nem sei de mim …
Tu tens forcas para te libertares, só tens de as achar para isso, tu queres te libertar, tu consegues se quiseres, tens o apoio dos teus amigos para isso! Diz-me como?
Isso não me cabe a mim, tu e que tens de descobrir. Já nem sei a quanto tempo ando assim, a tentar encontrar uma luz ao fundo do túnel.
Mas, eu não consigo, eu tento, eu procuro, mas não consigo. :'(
Oh Sara, achas que quero que passes o que estas a passar? Não!!
(…)
O que viste não foi, um terço do que já chorei’ do que já sofri’ do que já passei’ do que já senti. :/ Mais do que faço não consigo fazer!
Só se AMA uma vez de cada vez!
Não és tu que escolhes quem amas, mas és tu que decides o amor que queres ter.
Sim, mas não fazes ideia, o que é passar, estar a passar sem saber quando tudo vai acabar.
Tens de aguentar rapariga e eu estou cá para te apoiar.
Aguentar, aí está uma boa palavra! Só que eu já não aguento mais.
Não sirvo só para te ver sorrir, eu sirvo para te fazer sorrir.
Hoje sei, estou a chegar ao limite do sofrimento.
A vida é como a economia, há crises e crises, e cíclico.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
UmZero.UmDois.DoisZeroZeroOito
Esse misto de sentimentos que em mim despertasteFoi levado pelas ondas por arraste
Esse sol pelas nuvens escondido
Foi o caminho que dei por perdido
Esse néctar de felicidade
Foi consumido sem prazo de validade
Esse jardim que não foi regado
Deu por certo este amor cegado.
Esses lençóis em que te deitaste
Deitei-os fora para que não me provocassem mais desgaste
Essa flor que floriu
Murchou e nunca mais se abriu.
Essa dor que hoje sinto
e que minto,
ao dizer que não me afecta,
escondeu-se,
à espera de não mais ser descoberta.
sábado, 6 de dezembro de 2008
02Dez2008

Não tinha dúvidas que aquilo que lhe queria dizer não era muito, mas pelo facto de nunca o ter feito directamente, vira que valia a pena escrevê-lo. Eram estranhos, os seus pensamentos, por um lado achava-se patética pois nunca soubera de toda a verdade que tinha a ver com Pedro, que tinha a ver com ambos, mas por outro, queria agradecer-lhe pelas coisas que sabia dos dois, por aquilo que sempre lhe importara.
Vou dar-te esse tal obrigada que está entalado na minha garganta, há anos: obrigada então por todo o amor que me deste, ainda que me tivesse parecido estranho pelas tuas atitudes incompreensíveis. – Laila, nos seus lamentos, continuava; perguntava-se o porquê de não saber de tantas coisas desde o início… Como ele, ninguém a tinha amado, nem mesmo depois, pois Pedro nunca lhe apontara o dedo, por mais que discutissem ou por mais tempo que passassem sem se falar, tal e qual no dia em que ela lhe decidiu escrever. Pedro sempre fora um porto de abrigo, sempre consenguira sentir uma maior força quando estava nos braços dele. Ao lado do amante, ninguém era capaz de lhe fazer mal, e isso deixava, em Laila, uma sensação simpática de um passado agradável por muitos jeitos.
Gostava de acreditar que tu, Pedro, nesta possível ilusão, me amaste, discutiste comigo, ficaste triste, deixaste-me triste, e mesmo assim continuaste a amar, não só a tua Laila pequenina, mas a Laila em que me tornei. – Ela sabia que lhe tinha causado uma série de estragos e pedia-lhe o perdão dos mesmos. Por mais que ele esperneasse, ela também sabia que, mais tarde ou mais cedo – mas seria mais fácil, mais tarde –, ele lhe iria acenar com o sorriso do reencontro, chamemos-lhe assim, e não iria fazer a cara feia que Laila havia visto poucos meses antes.
Deixava-lhe claro: ainda que ele a tivesse julgado, não a atormentara até hoje como outros que, tempos antes, lhe pareceram mais sérios e sensatos que ele. Ela não era perfeita, não é perfeita, e sabe-o. Sónia, a sua melhor amiga, há poucos dias dissera-lhe “Tu és vida!”, e Pedro tinha sido isso mesmo: a vida de Laila, assim como ela a dele, arrisca nas suas memórias. O problema era que, nem um, nem outro, souberam aproveitar e viver juntos; estavam cegos!
Hoje dói pensar que o nosso amor-perfeito cresceu sobreposto a mentiras, mágoa e linhas encruzilhadas. Fiz de conta que não o via, que não o sabia e acabei por ignorar momentos importantes, mas as tuas razões, por vezes eram tão obscuras que eu até tinha medo. – Desculpava-se Laila. Ela precisava tanto de crescer! Mas Pedro nunca teve calma com ela.
A única coisa que a satisfazia era a recordação que tinha do seu sorriso: cada vez mais alegre e mais sedutor. Recordava, então, o sorriso do homem que viveu no seu sonho; recordou-o numa eterna saudade, numa memória que jamais queria transformar em mágoa; Laila não o deixava porque assim seria mais poético.
Ela ainda o ama, não da forma activa de antes, mas de uma forma nostálgica. Esse tal amor nostálgico, Laila nunca experimentara com mais nenhum outro. Pedro era das poucas pessoas por quem Laila só queria as boas recordações e essas, essas apareciam-lhe a qualquer instante, em qualquer parte do Mundo.
E por mais que tenha pena de nós, até enquanto amigos, sinto-me melhor ao lembrar-me desse teu tal sorriso. – Findava ela a carta, desenhando um coração com a sua caneta preta e beijando-a de uma forma demorada.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
És não sendo
És o sol que me ilumina e és trovoada que me escureceÉs aquele que me aquece e me congela
És a luz que me ilumina e és o lugar mais sombrio
És o meu arco-íris depois do dia chuvoso
És o vermelho pintado de preto
És a realidade que virou sonho
És pois o sonho por te querer e o pesadelo por não te poder ter
És o sono do qual tive de acordar
És o meu sorriso, e és aquele que me faz gritar
És o que mais me faz feliz e és o que mais me magoa
És a felicidade e a tristeza conjugadas num só
És tudo sem puderes ser alguma coisa
És a brisa fresca num dia calorento
És o ar quente do dia frio
És a resposta a tudo e és a pergunta à qual não sei responder
És o risco que tenho prazer de arriscar
És a pedra que não quero chutar
És o caminho que quero seguir embora sejas "o exemplo de tudo aquilo que não percebo".
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Seguir ou não seguir..
Há imenso tempo que não escrevo, que não tenho cabeça para fazer nada, que não penso em mais nada. Na minha cabeça só reside um único ser, inconfundível, único.Dia após dia, passo após passo, chuto uma pedrinha pequenina, um grãozinho de areia, vou sobrevivendo ou fazendo por isso .. Cabeça erguida, sim, mas um vazio do pior cá dentro. A cabeça sabe o que fazer, o coração não deixa. Prende-me na sua teia, uma pastilha agarrada aos sapatos que não quer sair .. E mais uma vez pergunto "Porquê?". Não consigo entender, mas tenho de entender, não quero seguir, mas tenho de seguir ..