domingo, 31 de maio de 2009

El titulo no me dice nada!



Olhava a rua pela minha
Janela na busca de
Te encontrar.
Sorria-me o vento

Aos ouvidos, lânguido,
Pela face.
Não havia maneira
De chegares.

O pinheiro em frente
Mal se mexia. Como que
Se o vento lânguido não lhe
Tocasse. Impávido, imponente.

O único candeeiro que iluminava
A estrada
Reflectia nos vidros dos carros
Petrificados.

Não lhe sabia o nome;
E passa agora
Mais um.
Cada vez mais fraco

E mais, e mais
Tenho a minha luz apagada
Escrevo no leito de uma
Vela aromática.

Fixei os meus olhos no
Barulho do rio que não via
Inspirei ao ritmo da baunilha
Límpida e terna.

Tu teimavas em não chegar
Dou mais um gole no meu
Cálice. A tua espera
Mata-me; e tu

Demoras com intenção!
Odeio-te por dares
Cabo de mim e
Me possuíres até à alma…

Quando chegares, possivelmente
Já nem estou acordada.
Já o meu cálice estará
Bebido e esta janela,

Que me desvenda, trancada.
Este calor consome-me o
Espírito. Finalmente apagou-se
O candeeiro maldito. Não há

Meio de chegares…
E também não vejo o fim
Desta espera nojenta.
Já não consigo

Seguir para outras paragens
Sem ti.
Vou onde me levares
Se me levares…

Já não há lágrimas para chorar
Porque já não há medos
Mas também já não sorrimos
Os dois, porque há uma coisa

Terrível.
A monotonia. E o pinheiro
Que continua sem se mexer,
Não se cansará de estar

Sempre ali a ver o mesmo
Velho candeeiro, os
Sempre forçados sorrisos,
As mulheres que esperam

Sempre os mesmos
Atrasos. Era capaz de viajar
Toda a noite conversando
Contigo mas de repente.

De repente uns faróis
Mortíferos descem a rua
Olhando para mim. Frios
Como o gelo. Atrás

Deles segue-se um carro
Negro. És tu. Finalmente!
Sorris-me da rua com
Um ar exausto. Mas já

Chegaste! Oiço abrires a
Porta. Entras no quarto e
Vens dar-me um beijo enquanto
Visto a camisa de dormir

Branca.
Oiço o microondas e os
Talheres a tilintarem. Sorrio
Comigo mesma.

É sempre igual, mas sabe-me
Sempre bem saber que te tenho,
Todas as noites, para mim.
Como se em todas elas, chegasses da guerra!



Cheesecake
O Mundo não está para brincadeiras. E eu não sei rigorosamente nada!
Não peço nada mais! x
28. Maio. 2009.
(A fotografia é da Alexandra)

ainda procuro

Há uma voz de sempre,
Que chama por mim.
Para que eu lembre,
Que a noite tem fim.

Ainda procuro,
Por quem não esqueci.
Em nome de um sonho,
Em nome de ti.

Procuro à noite,
Um sinal de ti.
Espero à noite,
Por quem não esqueci.

Eu peço à noite,
Um sinal de ti.
Quem eu não esqueci...

Por sinais perdidos,
Espero em vão.
Por tempos antigos,
Por uma canção.

Ainda procuro,
Por quem não esqueci.
Por quem já não volta,
Por quem eu perdi.

Sétima Legião - Por quem não esqueci

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Uma análise do poema «A Débil», de Cesário Verde

Podem ter acesso a uma análise deste poema de Cesário Verde, num ficheiro em Powerpoint através desta ligação.


sexta-feira, 22 de maio de 2009

Análise do poema de Cesário Verde «Cristalizações»

Aqui fica mais uma ligação para a análise de um poema de Cesário Verde: «Cristalizações».


Poemas de Cesário Verde: algumas opiniões críticas

Ficam aqui mais algumas ligações para páginas sobre poemas de Cesário Verde.

Poema «Num Bairro Moderno» - uma análise

Poema «Contrariedades» - uma análise

Para ver mais artigos sobre o autor: nesta ligação.


terça-feira, 19 de maio de 2009

Análise do poema «Deslumbramentos», de Cesário Verde

Aqui fica uma ligação para uma análise possível de um poema de Cesário Verde: «Deslumbramentos», para que possa servir de exemplo de um trabalho sobre a poesia deste autor. Oxalá possa ajudar.


Um poema de João Miguel Fernandes Jorge

É pena que os programas de Português nunca cheguem à poesia contemporânea, aos poetas que, ainda vivos, vão escrevendo e publicando nos nossos dias.

Hoje deixo aqui um poema de João Miguel Fernandes Jorge, um dos mais conceituados poetas portugueses actuais, para além de ser um dos que conheço que escreve dos mais belos poemas. É um texto triste, que nos conta uma história, como tantas e tantas que sucedem todos os dias e que, as mais das vezes, nos passam ao lado, que ignoramos, talvez por não nos deixarem indiferentes. E fica aqui à atenção de quem tem por mau hábito abandonar os animais, ou mesmo de os magoar.

Ah, nesta página do sítio da BE/CRE da nossa escola podem ler-se mais alguns poemas. Aqui fica a nota.

O poema intitula-se


PRESÉPIO ANIMADO DA RIBEIRA GRANDE

Ainda todos se lembram do dezembro de 96.
Era dia de natal. Na estrada que leva ao norte
da ilha, sob grande tempestade, trôpego, na
berma, um gato de pelagem branca. Parecia

ferido. Fêmea branca, a que chamariam persa
de pêlo curto, tinha uma chaga na orelha
alastrava pelo crâneo e pela fauce e
olho. Massa disforme de carne e sangue,

pancada de carro ou parede de muro desabado
a ferida. Animal muito manso, delicado e
tímido, deixou que me aproximasse
lhe pegasse e a trouxesse para dentro do

meu carro. Tremia de frio e também de medo e
dor. Enchuguei-a com um pedaço de
flanela, dei por mim chamando-lhe
Princesa: era muito nova, pequena,

de um branco que resistia ao lixo da terra
da quase sarjeta de onde a tirei; olhos
claros, amendoados. A mais
delicada e triste das gatas com a horrível

ferida a alastrar, implacável. Uma
gangrena que exalava cheiro pestilento
- a princesa branca apodrecia no dia
de natal. Havia uma caixa de cartão

no banco traseiro, coloquei-a dentro e
descobri a casa do veterinário. Era uma pasta
de sangue, carne e urina tão assustada
estava. O médico agarrou-a - eles já

cheiraram muita pestinência, os veterinários -
fez-lhe festas. Era muito meiga. Não
pude olhar enquanto a matava; meteu o
corpo branco, ainda quente, na caixa de

cartão. Levei-a, morta, e com aquele cheiro;
já quase noite. Enterrei-a num pequeno
jardim, bem perto do presépio animado da Ribeira
Grande, que nesse fim de dia de natal ainda

visitei. As lágrimas de nada servem, nem
por uma gata branca a que chamei Princesa,
durante uma escassa hora, a debater-se
com a morte. O sangue, a urina

o cheiro da gangrena. Este é o inferno
dos mortais, a sua beleza e fragilidade. A
morte é uma coisa e a vida, a mesma
coisa. A face da morte é o reflexo da

vida quando se debruça sobre a superfície
da ilha. Luze em todos os natais, suave,
esbatida de traços - palavra de traição
que rodeia o medo, o abandono.

domingo, 17 de maio de 2009

magia

Posso ter perdido o caderno onde fazia os meus rabiscos diáriamente,
Posso ter perdido o arquivo onde guardava cada um deles por ordem,
Posso ter perdido as folhas soltas e os post-it
Posso até ter perdido a inspiração...

Mas hoje, vou à procura de algo novo.
Pois não perdi o afia nem o lápis,
Afiá-lo-ei, e traçarei uma nova rota.

Hoje há magia.
Foto: "a magia acontece" - Inês Reis

sábado, 16 de maio de 2009

No Balançar ^^

No Balançar ^^


Uma batida mais forte
E a vibração faz-me mover.
Mais, é dançar até não poder,
É um pulsar e sentir-me renascer
Entre cada balançar do corpo.
Deixo que o som me leve.
Leve como uma pluma,
Assim me sentir,
E subir… Subir ao infinito.
Dominada inteiramente,
Nada maior me faz parar.
Algo tão transparente à vista,
Mas tão suave ou barulhento ao ouvido,
Que me faz pensar! Pensar e sonhar.
Liberto energia, solto o peso
Que me mói todos os dias.
Salto, bato palmas, grito!
Balanço numa ampla sala,
Rodo sem nada me tocar.
Sem ninguém me ver.
E aplano num chão,
Frio, duro, mas sabedor
Da dor de ser pisado por alguém
Que nada mais pode fazer,
A não ser balançar, e balançar para acalmar
!
...
Fácil É sonhar noite apÓs noite, dificil É lutar pelos sonhos!!

2009-04-9

# Sara Diz

terça-feira, 12 de maio de 2009

A Débil, de Cesário Verde

A Débil

Eu, que sou feio, sólido, leal,
A ti, que és bela, frágil, assustada,
Quero estimar-te sempre, recatada
Numa existência honesta, de cristal.

Sentado à mesa dum café devasso,
Ao avistar-te, há pouco, fraca e loura,
Nesta Babel tão velha e corruptora,
Tive tenções de oferecer-te o braço.

E, quando socorreste um miserável,
Eu, que bebia cálices de absinto,
Mandei ir a garrafa, porque sinto
Que me tornas prestante, bom, saudável.

"Ela aí vem!" disse eu para os demais;
E pus-me a olhar, vexado e suspirando,
O teu corpo que pulsa, alegre e brando,
Na frescura dos linhos matinais.

Via-te pela porta envidraçada;
E invejava, — talvez que não o suspeites! -
Esse vestido simples, sem enfeites,
Nessa cintura tenra, imaculada.

Ia passando, a quatro, o patriarca.
Triste eu saí. Doía-me a cabeça.
Uma turba ruidosa, negra, espessa,
Voltava das exéquias dum monarca.

Adorável! Tu, muito natural,
Seguias a pensar no teu bordado;
Avultava, num largo arborizado,
Uma estátua de rei num pedestal.

Sorriam, nos seus trens, os titulares;
E ao claro sol, guardava-te, no entanto,
A tua boa mãe, que te ama tanto,
Que não te morrerá sem te casares!

Soberbo dia! Impunha-me respeito
A limpidez do teu semblante grego;
E uma família, um ninho de sossego,
Desejava beijar sobre o teu peito.

Com elegância e sem ostentação,
Atravessavas branca, esbelta e fina,
Uma chusma de padres de batina,
E de altos funcionários da nação.

"Mas se a atropela o povo turbulento!
Se fosse, por acaso, ali pisada!"
De repente, paraste embaraçada
Ao pé dum numeroso ajuntamento.

E eu, que urdia estes fáceis esbocetos,
Julguei ver, com a vista de poeta,
Uma pombinha tímida e quieta
Num bando ameaçador de corvos pretos.

E foi, então, que eu, homem varonil,
Quis dedicar-te a minha pobre vida,
A ti, que és tênue, dócil, recolhida,
Eu, que sou hábil, prático, viril.

Novembro, 1876

Ficha informativa sobre a poesia lírica

Aqui fica uma ligação para poderem descarregar a ficha informativa sobre a poesia lírica e as suas características.
Este documento possui oito páginas e inclui a descrição das formas poéticas mais usuais, informação sobre a contagem das sílabas métricas, sobre a classificação das estrofes e da rima, para além de um glossário onde constam algumas das figuras de estilo, acompanhadas de exemplos.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

isto não é título, mas nunca pensei usar esta palavra tantas vezes!

Espírito rasgado
Hegemonia de sentimentos destruídos por Ti;
Só por Ti.
Causalidade nula
Impressão perdida.
Abomino-te por me estimares
Por cada vez que me procuras
E me encontras.
Oxalá um dia engulas cada promessa que rematas!

No vagar do meu ser és o inconstante
O arrepio perverso que me faz
Capaz
De devorar espadas de pontas desembotadas
Armaduras esquecidas.
Ventos que levaram as nossas defesas
Nudez pérfida
Descrente de escudos e de ferros.
Tempestades usurpadoras.

Oxalá um dia engulas cada promessa que rematas!
Oxalá morramos com o pretexto de
Nos descobrirmos
Como não podemos descobrir agora.
Oxalá haja vida depois da transição
Mas oxalá eu nunca te encontre
Oxalá que nunca me toques
Com essas mãos sujas de vida
Oxalá te saiba um dia.

devaneios sublimes, não importa mais.
Alexandra Nunez.

STOP

Não darei atenção a nenhum SENTIDO OBRIGATÓRIO, vou ser eu a definir o TRÂNSITO PROIBIDO, e quando for PROIBIDO VIRAR (para qualquer lado) será para onde virarei. SE SIMPLESMENTE ME APETECER, nos CRUZAMENTOS, nunca mais pararei para pensar e nas curvas vou seguir a 300/h, mas nenhuma me trocará as voltas! Desrespeitarei intensivamente o VERMELHO e o AMARELO, mas abusarei do VERDE até dizer chega! Vou colocar uma venda nos olhos e acelarar até o contador rebentar, até levantar voo. Vou entrar na auto-estrada e não vou pagar portagem. Se for para não passar dos 120, então andarei a 1200! Vou contra todos os STOP que houverem e vou mudar todas as regras porque estou farta que me digam como deve ser. Se for preciso, também sei dar uso ao travão, está sempre no mesmo sítio. Daqui para a frente vai ser como eu quero!
Eu dito as regras.
# nêê..