segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A propósito do texto expositivo-argumentativo

Os textos podem ser classificados em três grandes tipos: narrativos, descritivos e expositivos.

No caso que agora nos interessa, irei aqui deixar algumas considerações acerca do texto expositivo-argumentativo.


Argumento é o raciocínio pelo qual, de uma ou mais proposições, se deduz uma conclusão, raciocínio seguido geralmente pelo orador em apoio da sua tese.

Os argumentos oratórios podem ser directos e indirectos. Os directos têm naturalmente conclusão afirmativa da tese sustentada pelo orador, os indirectos, a sua negação. A totalidade dos argumentos directos têm a denominação de confirmação, fortalecendo eles a tese, mas a dos indirectos, a de refutação, contribuindo estes para a rejeição das objecções do adversário.

Os argumentos constituem a parte essencial dum discurso. Todas as outras partes convergem para ele.

Se na demonstração o acento, a tónica, cai na correcção do raciocínio, na argumentação o elemento principal constitui a eficiência desta perante o auditório, cuja adesão à tese sustentada no discurso é seguida pelo orador.



Aristóteles definiu a argumentação como a «arte de falar de modo a convencer».
Ora, toda a arte tem normas e querer fazer o uso de qualquer arte implica o domínio das suas técnicas. E a arte da argumentação obedece a um trabalho rigoroso que prevê várias etapas: escolher o problema, procurar os argumentos e os contra-argumentos, dispô-los adequadamente, construir um discurso convincente, formular juízos de valor.

E se o discurso argumentativo tem o objectivo de usar bem a palavra para convencer, deve procurar cumprir alguns requisitos fundamentais como a clareza, o rigor, a objectividade, a coerência, a sequência lógica e a riqueza lexical.

Assim, sendo mais práticos, para se elaborar um texto argumentativo, dever-se-á:

– começar por uma introdução em que se apresenta o problema que vai ser objecto do discurso (que ocupa, normalmente, um parágrafo);
– em seguida, construir o desenvolvimento, em que se expõem os argumentos e os contra-argumentos fundamentados com exemplos (o desenvolvimento compreende, pelo menos, dois parágrafos – um para os argumentos e outro para os contra-argumentos);
– para finalizar, a conclusão (de um parágrafo) que deve retomar a afirmação feita na introdução, agora já confirmada ou contrariada.



É importante não descurar a sequência lógica que se pretende que haja entre os parágrafos, implicando que se esteja atento ao seu encadeamento, o que se consegue com a utilização de articuladores de discurso ou de conectores (causa-efeito-consequência, hipótese-solução).

1 comentário:

O Prof. disse...

A propósito dos conectores, em relação ao texto expositivo-argumentativo, e face a algumas dúvidas que foram colocadas, aqui ficam alguns exemplos sobre a função que estes podem desempenhar nas frases:

1. conectores que indicam adição: mas; porém; todavia; contudo; no entanto; apesar disso; ainda assim.

2. conectores que indicam oposição: logo; portanto; assim; por conseguinte; por consequência.

3. conectores que expressam uma conclusão: de forma que; de maneira que.

4. conectores de temporalidade: embora; ainda que; mesmo que.

5. conectores que expressam uma concessão: quando; enquanto; antes que; depois que; até que; à medida que.

6. conectores que exprimem uma consequência: para que; a fim de.

7. conectores que indicam fim (finalidade): e; nem; não só...mas também; tanto...como.

8. conectores que indicam comparação: porque; pois; visto que.

9. conectores que expressam uma causa: como; conforme; segundo; assim como; bem como; mais do que; menos do que.