domingo, 15 de março de 2009

Celebrando a fragilidade patética da vida.

Há na vida de uma pessoa um instante decisivo, uma prova radical a seguir à qual já nada é como dantes. As feridas estão a sarar, já não ardem nem magoam como outrora o fizeram. A má-disposição matinal que se prolongava por dias já lá foi, já lá vai.

Sau .. sauda .. saudad ... Já me esqueci de como se pronuncia a palavra que fazias chover sobre a minha cabeça. Foi embora com esse Inverno, gélido, foi a noite que deu lugar ao Sol mais brilhante que alguma vez conheci.

Para aprender é mesmo preciso sofrer? - Aprendizagem inútil acabou por nos separar mais do que por nos unir.

Eu levantei inúmeras questões do silêncio, das vozes caladas que os teus doces lábios me murmuravam. Havia em ti a condenação de todo o palavreado convencional de que as relações humanas se rodeiam. Mas agora quem não quer ouvir, sou eu. Essa música que não me cansava de ouvir, agora enjoa-me arduamente. Estamos separados por uma imensa praia de silêncio que a cada dia trás a sua maré baixa.

O amor morre quando as pessoas já nada têm a dizer-se. Este, terminou na noite passada, em que já não tive vontade de saber o que fizeste, com quem estiveste, ou saber de qualquer novidade sobre ti já nem tenho vontade de ouvir da tua boca como passaste essas horas sem mim, pois eu mesma já me habituei a passar horas, dias, meses, sem ti.
Fotografia por: João Gonçalves
Porto, Casa sa Música. 12 de Março de 2009

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