Fumo agora um charro que me vale por mil escudos. Um sabor torrado que navega entre os cafés colombianos e as savanas sul-africanas. Consegui viajar por esses horizontes, onde começa a alma; onde o calor e a luz me invadem poderosamente. Dou mais um bafo. Um beijo sereno a um narciso encantado. E mato a beata no cinzeiro verde pintado à mão. Toda a minha alma que voava o Mundo, percorre agora o que em mim é profundo. Sinto o corpo tão pesado que não consigo sair dele. Então não saio. E não tento, sequer. Olho pela janela e franzo os meus olhos: vejo o céu ao fundo povoado por criaturas de todas as formas que caminham ao som do vento. Cheio de tons rosa e laranja está a linha que finda a minha visão. Amanhã vai estar calor, penso para comigo. Solto uma gargalhada, sozinha. Amanhã vai estar calor. Amanhã vai estar calor. Deporto-me de novo para o Sul do meu planeta.
Where’s Mexico? Where’s my only cigarette? Dónde es Mexico? Dónde está mi único cigarrillo?
Es aquí. No lo sé. Pero tengo un, si así lo deseas.
Gracias. A simpatia deste povo comove-me. E uma súbita sede imensa faz-me crer que o Sol se está mesmo a pôr no México. Mas há algo que me chama a atenção. Já me dói a cabeça por causa do raio da luzinha azul. Insistente. Regresso à realidade, apesar de aturdida. Trato de me aproximar da luzinha azul e lanço-me a ela na esperança de encontrar uma música que leve a outras paragens; gosto tanto de viajar. Elvis! É tudo o que eu quero! Paro no E e começo a ouvir aquela batida maravilhosa. Já está tudo com aspecto de realidade. Dispenso! Acendo outro charro que acabei de fazer. Now and then there’s a fool such as I. Estou como quero estar. Segue-se Suspicious Minds e eu acendo a minha vela de baunilha. Não resisto, o meu corpo mexe-se atabalhoadamente sem eu pedir nada. Rigorosamente nada. Visitei a Colômbia, África do Sul e o México, mas o Sol já se pôs, faz tempo. Então vou à casa de banho; aproximo-me do espelho, os meus olhos nem estão muito vermelhos, faço o risco preto, dou um jeito ao cabelo. Volto ao quarto, salpico-me com o meu perfume, pego na mala e saio de casa mais que feliz.
Love me tender, love me dear
Tell me you are mine.
I’ll be yours through all the years
Till the end of time.
Continua a luzinha azul a cantar.
Where’s Mexico? Where’s my only cigarette? Dónde es Mexico? Dónde está mi único cigarrillo?
Es aquí. No lo sé. Pero tengo un, si así lo deseas.
Gracias. A simpatia deste povo comove-me. E uma súbita sede imensa faz-me crer que o Sol se está mesmo a pôr no México. Mas há algo que me chama a atenção. Já me dói a cabeça por causa do raio da luzinha azul. Insistente. Regresso à realidade, apesar de aturdida. Trato de me aproximar da luzinha azul e lanço-me a ela na esperança de encontrar uma música que leve a outras paragens; gosto tanto de viajar. Elvis! É tudo o que eu quero! Paro no E e começo a ouvir aquela batida maravilhosa. Já está tudo com aspecto de realidade. Dispenso! Acendo outro charro que acabei de fazer. Now and then there’s a fool such as I. Estou como quero estar. Segue-se Suspicious Minds e eu acendo a minha vela de baunilha. Não resisto, o meu corpo mexe-se atabalhoadamente sem eu pedir nada. Rigorosamente nada. Visitei a Colômbia, África do Sul e o México, mas o Sol já se pôs, faz tempo. Então vou à casa de banho; aproximo-me do espelho, os meus olhos nem estão muito vermelhos, faço o risco preto, dou um jeito ao cabelo. Volto ao quarto, salpico-me com o meu perfume, pego na mala e saio de casa mais que feliz.
Love me tender, love me dear
Tell me you are mine.
I’ll be yours through all the years
Till the end of time.
Continua a luzinha azul a cantar.
4 comentários:
No sé para decir que el mexicano yo lo escribe mucho menos…
Pero sé que adorei este texto e não o estou a dizer pelo simples facto de ser bem educado! Até porque eu não gosto de ler texto demasiado longos, mas no entanto, em cada linha que lia, quis sempre ler a linha de baixo e a de baixo, até chegar ao fim… =)
Fico a espera do próximo "capitulo” (:
Beijoca ^^
* Fico à espera do próximo "capítulo"
Gostei deste texto.
Mas atenção a essa dos «charros», porque consumir coisas dessas pode levar a vícios que depois nos deixam nas mãos deles e deixamos de ser quem somos.
Aliás, já aqui disse antes que os textos que escreves mostram uma maturidade e uma profundidade bem interessantes, embora por vezes sejam algo pessimistas, melancólicos, até.
Trabalhar a escrita, com tanto que tens para dizer, e de uma forma tão criativa, é algo que deves continuar a fazer, e nunca desistir de escrever, de reflectir sobre as coisas e a vida, sobretudo fazendo-o de maneira tão bela.
Mas atenção ao que disse no princípio deste texto.
O professor que não fique preocupado, nem sempre quando escrevo, escrevo sobre mim. Pelo menos neste caso, achei interessante pegar no que disse sobre o facto de as pessoas terem medo de falar de certos assuntos! E tal como disse na aula de hoje, os textos criam sensações e era isso mesmo que eu queria - criar sensações; chocar, até -, daí ter falado em charros logo na primeira linha. Foi uma experiência: quis ver se realmente conseguia captar a atenção de quem o viesse ler, ainda que fosse um bocadinho longo!
Agradeço por conjugar a minha pessoa com maturidade e profundidade duma forma positiva. Claro que o tomo como um elogio! O pessimismo é algo que não me larga de forma alguma e, de certa forma, não quero que largue. Especialmente nos textos, é a forma como gosto de tratar os assuntos. Por isso, faço de um copo uma tempestade. Solta-me! É principalmente na condição de melancólica e nostálgica que consigo fazer um texto que me possa parecer bonito!
Obrigada também pelo incentivo para que continue a escrever! Porque mesmo estando em artes, é a forma como melhor me expresso, é o que mais me deixa em paz e, no fundo, o que mais gosto de fazer!
[e agradeço também ao comentário da Sara, mas esse já está respondido :P]
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