
Foram 9 meses que pareciam não mais terminar, que não queria que terminassem, em que cada segundo passava a voar, cada momento tinha a capacidade de nos surpreender, de nos deixar boquiabertos com a sua magia, com o desejo que se apoderava e vivia em nós. Um sonho tão real que parecia não ter fim. Eu vivi nas garras do sonho, na gruta que me envolvia pelo desejo de te ter ali, sempre ali. Mas na gruta surgiu um foco de luz, fiquei encadeada e quando olhei para trás havias desaparecido, deixaste a esperança, o sonho, a força de acreditar, o amor. Do ilusionismo em que vivia, apenas ficou a cartola onde guardei tudo aquilo em que acreditava e que não deixo de acreditar. Quero ficar adormecida, pois a vida sem te ver por perto, perde a sua alegria, fica sem interesse, a venda preta já está posta nos meus olhos, acorda-me quando chegares.
# nêê..
10 comentários:
E tanta verdade que esta escrita... e é esta verdade que também sinto, que mói cá dentro e que teima em não passar, páh!! E quando finalmente já me sinto melhor, um simples acto de nos tocar... me deixa a pensar e lá volta-mos ao mesmo, enfim!!!
Pensa e têm a esperança que o amanhã será melhor Nêe...
Beijinho***
Lá esperança é coisa que não me falta, mas tal como tu, até posso gerir a dor, mas basta uma imagem, um momento, um gesto, uma palavra que .. Lá vamos nós para o nosso ritual -.-
O amor, a perda, a separação, tudo isso pode doer, mas tudo faz parte do crescimento, de se aprender a viver com a euforia, mas também com a tristeza, o que só nos faz mais fortes. Porque a vida é isto mesmo: feita de momentos, uns assim-assim, outros nem por isso.
Deixo aqui dois poemas de Eugénio de Andrade.
Devias estar aqui rente aos meus lábios
para dividir contigo esta amargura
dos meus dias partidos um a um
- Eu vi a terra limpa no teu rosto,
Só no teu rosto e nunca em mais nenhum.
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Apesar de ter lido poucas páginas do livro de Eugénio de Andrade, que o professor mesmo sugeriu, e da apresentação ter sido a vergonha que foi, =/ lembro-me perfeitamente de ter lido este poema!! ^^
É tudo uma grande verdade, e se comparar os meus 17 aninhos com a experiencia que o professor João tem, não se a pode fazer, pois o professor sabe o que diz, e talvez, ou talvez com toda a certeza de afirmar posso dizer
também já passou pelo mesmo...
Mas contudo a dor continua, e continua, e até passar vai um grande, grande e longo mau bocado, e tudo o que se diz parece não fazer qualquer sentido... Porque, só cada um de nós, sabe o que é viver isto, e de pessoa para pessoa varia o modo de reagir de encarar a realidade da VIDA, mesmo sabendo que tudo passará um dia! Só que é tão GRANDE o VAZIO, tão GRANDE a DOR na altura em que se vive isto tudo, que tudo o que acontece não faz sentido sem termos ao lado aquele alguém que precisamos tanto.
Boa Noite **
( não sei porque apareceu anónimo :S, e tb não nada sei como apaga-lo )
e tb nao sei como apaga.lo *
Stor, obrigado pelo seu comentário, tocou-me imenso, e identifico-me quase perfeitamente com eles.
Sara, agradeço igualmente as tuas palavras :)
Não posso dizer muito mais...o teu stôr disse tudo. O segundo poema já conhecia, o primeiro fiquei a conhecer e gostei!
Inês sabes que estou sempre aqui para o que precisares. E a ajuda que te dou, embora não seja tanta como gostaria, baseia-se também na minha experiência...não vou dizer que sofri mais ou menos que tu, porque é estúpido dizer isso, depende da intensidade com que as pessoas vivem as oportunidades, e da mesma maneira que não sei o que sentiste, embora possa fazer uma dedução, tu também não sabes o que passei e isto seria discutir o sexo dos anjos e nunca mais saíamos daqui...
Posso nem sempre ser a "queridinha", que dá apoio, se calhar não te digo as coisas que tu gostavas mais de ouvir, mas só quero que saibas que, se te digo o que digo, se sou bruta contigo e atiro-te com verdades à cara, é apenas por sofrer contigo, mesmo não tendo vivido o que viveste, e apenas quero que saias dessa tristeza, e quando a vida nos trata mal é quando ganhamos mais forças para ultrapassar os obstáculos...porque "um bom amigo é aquele que dá umas boas chapadas de vez em quando!"
E sabes que podes contar comigo a que hora seja...porque não te esqueças que para além de minha amiga...és a melhor delas :)
Rita *.*
Que mais poderia querer de uma amiga? :D
Obrigada por tudo, pelas chapadas com e sem mão que muitas vezes me fazem abrir os olhos!
Podes por vezes não dizer o que quero ouvir quando sou bué teimosa (99% das vezes), mas dizes sempre o que deve ser dito, e estás sempre presente! E devo-te o Mundo por isso!
Obrigada por tudo :'D És a melhor!
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