Primeiro olhar .. Choco-me com a realidade de ter acabado, ter acordado de um sonho, com os pés destapados, cheia de frio. Segundo olhar .. Meio zonza, olho para cima e para baixo, nada vejo, olho em redor, aproximo-me mal sei de onde, e sinto as paredes que me rodeiam, frias, despidas, com piquinhos pontiagudos que me arranham as mãos só de lhes tocar. Apercebo-me que estou sozinha, sinto que perdi alguma coisa, penso, e não sei bem o quê. Estou numa gruta, está frio cá dentro e não vejo um único foco de luz. Não tem saída e nem sei por onde entrei. Um passo, outro passo, e o eco aumenta, estou então cada vez mais no fundo e as paredes tornam-se cada vez mais apertadas, confesso, estou com medo, o meu corpo inteiro, de tanto trémulo que está, já nada sinto a não ser as paredes a fecharem-se cada vez mais. Ao aproximarem-se mais ainda, sinto uma enorme vontade de escapar dali, da minha mente não saem os sorrisos, olhares, momentos, e até lágrimas, mas a minha realidade tem sido outra, as lágrimas já não são de desabafo e muito menos de alegria, são de dor. De uma dor intensa que me esfaqueia, me desfigura, me prende. Não sei o que se passou, o meu estômago da voltas e voltas cada vês que tento perceber como vim aqui parar. Mas agora não me importa, eu não quero saber. Sim, pela primeira vez na vida vou dizer “eu não me importo”. Encho-me de força, e agarro a minha coragem com toda ela, rebento as paredes que me cercam e sinto-me a super-mulher, eu sinto-me invencível pois tenho vontade de vencer. Começam a surgir pequenos focos de luz e lá no cimo, onde essas paredes que me escondem, começam a desvanecer, observo, é o meu terceiro olhar, vejo um monte de dedos, palmas de mão, até que me apercebo que são braços estendidos. Os meus amigos estão aqui, aqui comigo, é certo que me fechei neste beco e que não estava a conseguir lidar com isso, eis que eles chegaram e me atiraram uma corda, bem forte. Subi, subi e subi, agarrei-os e disse “sem vocês nada era possível”. Agora sim, estou pronta para seguir, eles, ajudaram-me, eles provaram que estão presentes, que existem, e que, ao menos, são a minha maior certeza na vida que nunca hei-de questionar. Agora é uma batalha minha, seguir o meu caminho, que já está meio caminho andado. Obrigado meus amigos.a # nêê..
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