Detesto aquilo que és
E detesto que não tenhas passado de um sonho
Detesto o teu sorriso e o teu olhar
E detesto tudo aquilo que escondem
Detesto tudo aquilo em que me fizeste acreditar
E tudo aquilo em que te estás a tornar
Detesto quando chamo o teu nome e tu não me ouves
Detesto a solidão que em mim se esconde
Detesto as feridas que tenho
E que não mais saram
Detesto as esperanças que tive
E detesto saber que pus quem era de lado por quem já não és
E que talvez nunca tenhas sido
Detesto ainda mais saber que tudo desapareceu
Em menos de um fósforo
Detesto recordar os bons momentos
E detesto que qualquer coisa te traga ao meu pensamento
Detesto quando passas e eu fico a olhar
Detesto não o conseguir evitar!
Detesto quando bloqueio a pensar
Detesto saber que podia ter sido diferente
Detesto saber que podias ter marcado a diferença
Detesto saber que não quiseste
Detesto saber que tive de me sujeitar
Detesto aperceber-me vezes sem conta que preferiste ser vulgar
Detesto todas as lágrimas que ainda me fazes chorar
Detesto os momentos em que me fizeste rir
Detesto tudo aquilo em que me fizeste reflectir
Detesto o modo como me irritas e me tiras do sério
Detesto não conseguir desvendar este mistério
Detesto acordar e ainda te querer abraçar
Detesto não conseguir estar sem pensar em ti um único segundo
Detesto ter-te feito o meu mundo
Detesto ainda te querer
Detesto ter depositado toda a minha força em ti
Detesto que te tenhas ido embora do dia para a noite
Detesto que tenhas fugido sem me ter dado uma última opurtunidade
E detesto ter ficado à espera dela
Detesto estar presa aqui neste sítio
Detesto-te tanto
Detesto-te de mais
E detesto saber que não te consigo detestar.
Detesto quando mentes
Detesto todas as ilusões que me fizeste viver
Detesto tudo que tenha a ver contigo
E detesto não me ter arrependido
Detesto ter-te perdido
Detesto teres fugido por entre os dedos
Detesto amar-te
E ainda hoje sofrer com isso.
[Detesto não ter imagem que ilustre isto, lamento]
a #nêê..
1 comentário:
Reconheço que, por vezes, expressar sentimentos de (quase) ódio levam a uma libertação, a uma catarse (ai o «Frei Luís de Sousa» e a tragédia clássica...), mas temos ainda assim de ter algum cuidado para que tais estados de espírito não nos atormentem demasiado, ao ponto de às tantas por tantas não sermos capazes de outra coisa senão libertarmos fel das nossas palavras.
Há tanta coisa bela para apreciarmos... Se nos deixamos levar apenas pelo que detestamos, damos por nós mergulhados num universo de ódios e ressentimentos, escapando-se-nos por entre os dedos tudo o que de bom se encontra à nossa espera. E nada mais temos que fazer do que ir ao seu encontro.
Enviar um comentário