terça-feira, 16 de dezembro de 2008

M-D :D


Obrigada por me abrires os olhos – podia eu dizer; em vez disso prefiro tornar a situação um pouco mais dramática. Como sempre:
Obrigada por me teres lançado a bóia! Embrenhada nos meus, por vezes trémulos e inibidos, pensamentos negativos, não vi qual seria o meu destino. Já passara o nível das águas do mar, o nível da minha cabeça quando ma lançaste. Porque saíra eu para fora de pé?! Porque não ouvira eu os outros quando me tentavam aliciar a voltar às douradas areias?! Tu foste mais firme: em vez de um grito, volta Xana, a maré está a levar-te, tu não tiveste medo de te molhar. Eu estava cega, estava surda e, ainda assim, lançaste-ma ao mar. Ao meu mar. Naquele momento, tinhas sido o meu maior inimigo: por vezes a grandiosidade deste mar é assim; primeiro suga-nos o racional e o resto vai de caminho, sem medidas.
Esperneei, gritei contigo e o mar continuava a chamar-me: a maré que vazara o meu coração e levara tudo aquilo em que acredito puxava-me para um lado; tu, que já me tinhas a mão agarrada, puxavas para o outro. Ganhaste este jogo de forças e finalmente fizeste com que voltasse a sentir o quente do chão; o firme que já não era eu!

Já muitas outras seguiram este mesmo caminho para lá e não tiveram ninguém que lhes tirasse a bóia, ou não a quiseram agarrar. Eu felizmente tive-te a ti!

Foi preciso deitar-me naquela cama de rede que me embalava ao irónico som daquele mar traiçoeiro, que quanto mais nos tem, mais nos quer ter, para ver que tu eras não menos que o detentor da razão. Saí então, descalça, e procurei-te do outro lado das rochas escarpadas, onde sempre te encontrara. Sentei-me perto de ti. Com poucas palavras desculpei-me e agradeci-te.
De facto, destes mares, cada um tem o seu, é como um vício íntimo, uma queda por um abismo apetecível; e o meu é uma apatia imensa… Já tenho vindo a experimentar, por tempos e tempos, este meu mar que atraiçoa, e só tu me fizeste ver o tamanho do seu egoísmo e da sua hipocrisia.
Lançaste-me a bóia, como um estalo gélido. Tiraste-me de lá e nem tinhas motivos para o fazer. Então, e mais uma vez, pela última vez, pedi a uma estrelinha do mar que viesse ao mundo dos Homens dizer-te Obrigada por mim!

(fotografia e texto de Alexandra Nunez [Schnee Käsekuchen], em http://xxpaodeformaxx.blogspot.com)

2 comentários:

Anónimo disse...

E aqui está presente as fantasias a que te referias o teu portal que te leva para outro mundo :D

Eu gosto imenso de ler o que escreves, tem sempre aquela malagueta que dá aquele toquezinho tão especial e tão teu, do qual só tu és dona!

Nunca se apanha a mesma onde duas vezes!

Adorei o texto! nem tenho palavras suficientemente boas para o descrever, está grandioso, parabéns ;)

Alexandra Nunez disse...

Bem, dona Banana, estamos a superar o nível de comentários! Obrigada, a sério! Ainda bem que eu tenho esse toquezinho de que falas, é assim que tento "assinar" todos os meus textos! Este está no meu blog, e com outro título, a propósito da minha última mudança súbita de humor... Posso dizer que hoje os efeitos desta 'história' são do mais positivos possíveis! ;)