
Foi no banho que me apeteceu escrever-te – pensara Laila quando o calendário contava dois dias do início do último mês do ano. Estava sentada na sua cama, pensando em quem já não pensava, desta forma, faz tempo. Estava encostada à cabeceira com a pequena lâmpada a seu lado, naquela posição podia deslumbrar-se com os reflexos azuis escuros e claros, vermelhos e amarelos vindos dos vidrinhos da fraca luz do seu candeeiro projectados no lençol.
Não tinha dúvidas que aquilo que lhe queria dizer não era muito, mas pelo facto de nunca o ter feito directamente, vira que valia a pena escrevê-lo. Eram estranhos, os seus pensamentos, por um lado achava-se patética pois nunca soubera de toda a verdade que tinha a ver com Pedro, que tinha a ver com ambos, mas por outro, queria agradecer-lhe pelas coisas que sabia dos dois, por aquilo que sempre lhe importara.
Vou dar-te esse tal obrigada que está entalado na minha garganta, há anos: obrigada então por todo o amor que me deste, ainda que me tivesse parecido estranho pelas tuas atitudes incompreensíveis. – Laila, nos seus lamentos, continuava; perguntava-se o porquê de não saber de tantas coisas desde o início… Como ele, ninguém a tinha amado, nem mesmo depois, pois Pedro nunca lhe apontara o dedo, por mais que discutissem ou por mais tempo que passassem sem se falar, tal e qual no dia em que ela lhe decidiu escrever. Pedro sempre fora um porto de abrigo, sempre consenguira sentir uma maior força quando estava nos braços dele. Ao lado do amante, ninguém era capaz de lhe fazer mal, e isso deixava, em Laila, uma sensação simpática de um passado agradável por muitos jeitos.
Gostava de acreditar que tu, Pedro, nesta possível ilusão, me amaste, discutiste comigo, ficaste triste, deixaste-me triste, e mesmo assim continuaste a amar, não só a tua Laila pequenina, mas a Laila em que me tornei. – Ela sabia que lhe tinha causado uma série de estragos e pedia-lhe o perdão dos mesmos. Por mais que ele esperneasse, ela também sabia que, mais tarde ou mais cedo – mas seria mais fácil, mais tarde –, ele lhe iria acenar com o sorriso do reencontro, chamemos-lhe assim, e não iria fazer a cara feia que Laila havia visto poucos meses antes.
Deixava-lhe claro: ainda que ele a tivesse julgado, não a atormentara até hoje como outros que, tempos antes, lhe pareceram mais sérios e sensatos que ele. Ela não era perfeita, não é perfeita, e sabe-o. Sónia, a sua melhor amiga, há poucos dias dissera-lhe “Tu és vida!”, e Pedro tinha sido isso mesmo: a vida de Laila, assim como ela a dele, arrisca nas suas memórias. O problema era que, nem um, nem outro, souberam aproveitar e viver juntos; estavam cegos!
Hoje dói pensar que o nosso amor-perfeito cresceu sobreposto a mentiras, mágoa e linhas encruzilhadas. Fiz de conta que não o via, que não o sabia e acabei por ignorar momentos importantes, mas as tuas razões, por vezes eram tão obscuras que eu até tinha medo. – Desculpava-se Laila. Ela precisava tanto de crescer! Mas Pedro nunca teve calma com ela.
A única coisa que a satisfazia era a recordação que tinha do seu sorriso: cada vez mais alegre e mais sedutor. Recordava, então, o sorriso do homem que viveu no seu sonho; recordou-o numa eterna saudade, numa memória que jamais queria transformar em mágoa; Laila não o deixava porque assim seria mais poético.
Ela ainda o ama, não da forma activa de antes, mas de uma forma nostálgica. Esse tal amor nostálgico, Laila nunca experimentara com mais nenhum outro. Pedro era das poucas pessoas por quem Laila só queria as boas recordações e essas, essas apareciam-lhe a qualquer instante, em qualquer parte do Mundo.
E por mais que tenha pena de nós, até enquanto amigos, sinto-me melhor ao lembrar-me desse teu tal sorriso. – Findava ela a carta, desenhando um coração com a sua caneta preta e beijando-a de uma forma demorada.
Não tinha dúvidas que aquilo que lhe queria dizer não era muito, mas pelo facto de nunca o ter feito directamente, vira que valia a pena escrevê-lo. Eram estranhos, os seus pensamentos, por um lado achava-se patética pois nunca soubera de toda a verdade que tinha a ver com Pedro, que tinha a ver com ambos, mas por outro, queria agradecer-lhe pelas coisas que sabia dos dois, por aquilo que sempre lhe importara.
Vou dar-te esse tal obrigada que está entalado na minha garganta, há anos: obrigada então por todo o amor que me deste, ainda que me tivesse parecido estranho pelas tuas atitudes incompreensíveis. – Laila, nos seus lamentos, continuava; perguntava-se o porquê de não saber de tantas coisas desde o início… Como ele, ninguém a tinha amado, nem mesmo depois, pois Pedro nunca lhe apontara o dedo, por mais que discutissem ou por mais tempo que passassem sem se falar, tal e qual no dia em que ela lhe decidiu escrever. Pedro sempre fora um porto de abrigo, sempre consenguira sentir uma maior força quando estava nos braços dele. Ao lado do amante, ninguém era capaz de lhe fazer mal, e isso deixava, em Laila, uma sensação simpática de um passado agradável por muitos jeitos.
Gostava de acreditar que tu, Pedro, nesta possível ilusão, me amaste, discutiste comigo, ficaste triste, deixaste-me triste, e mesmo assim continuaste a amar, não só a tua Laila pequenina, mas a Laila em que me tornei. – Ela sabia que lhe tinha causado uma série de estragos e pedia-lhe o perdão dos mesmos. Por mais que ele esperneasse, ela também sabia que, mais tarde ou mais cedo – mas seria mais fácil, mais tarde –, ele lhe iria acenar com o sorriso do reencontro, chamemos-lhe assim, e não iria fazer a cara feia que Laila havia visto poucos meses antes.
Deixava-lhe claro: ainda que ele a tivesse julgado, não a atormentara até hoje como outros que, tempos antes, lhe pareceram mais sérios e sensatos que ele. Ela não era perfeita, não é perfeita, e sabe-o. Sónia, a sua melhor amiga, há poucos dias dissera-lhe “Tu és vida!”, e Pedro tinha sido isso mesmo: a vida de Laila, assim como ela a dele, arrisca nas suas memórias. O problema era que, nem um, nem outro, souberam aproveitar e viver juntos; estavam cegos!
Hoje dói pensar que o nosso amor-perfeito cresceu sobreposto a mentiras, mágoa e linhas encruzilhadas. Fiz de conta que não o via, que não o sabia e acabei por ignorar momentos importantes, mas as tuas razões, por vezes eram tão obscuras que eu até tinha medo. – Desculpava-se Laila. Ela precisava tanto de crescer! Mas Pedro nunca teve calma com ela.
A única coisa que a satisfazia era a recordação que tinha do seu sorriso: cada vez mais alegre e mais sedutor. Recordava, então, o sorriso do homem que viveu no seu sonho; recordou-o numa eterna saudade, numa memória que jamais queria transformar em mágoa; Laila não o deixava porque assim seria mais poético.
Ela ainda o ama, não da forma activa de antes, mas de uma forma nostálgica. Esse tal amor nostálgico, Laila nunca experimentara com mais nenhum outro. Pedro era das poucas pessoas por quem Laila só queria as boas recordações e essas, essas apareciam-lhe a qualquer instante, em qualquer parte do Mundo.
E por mais que tenha pena de nós, até enquanto amigos, sinto-me melhor ao lembrar-me desse teu tal sorriso. – Findava ela a carta, desenhando um coração com a sua caneta preta e beijando-a de uma forma demorada.
(Fotografia e Texto de Alexandra Nunez, Schnee Käsekuchen)
4 comentários:
Já tinha lido no teu blog, está lindo Maria!
:) Obrigada, Banana...
Rawffs, chomp chomp chomp!
Nhammiii bróculooooo!
Rawpf nhoc nhoc nhoc nhoc .. Mmm
Já tinha lido pessoalmente, e o comentário/opiniao, já foi dada tb =P
Gosto**
Joka ^^
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