Eu não percebo porquê que não consigo simplesmente seguir em frente, e acabou! Eu não compreendo porquê que, apesar de ter sido extremamente fantástico tudo o que junto passamos, sinto que não vivemos nem metade daquilo que poderiamos ter vivido, e ainda sinto que podia ter mudado tanta coisa que não mudei, que não consegui mudar, e que se tivesse mudado, hoje eu não estaria assim, hoje não estarías ai, estarias aqui, hoje não eramos eu e tu, seriamos nós. Eu já nem sei o que sinto. Sei que tenho cabeça tronco e membros, mas apenas sinto o coração, apesar de sentir que não o sinto. Confuso? Pudera, não existe outra palavra que melhor me descreva. Eu não sei o que queres, não sei o que é suposto eu pensar com as tuas atitudes, que me levam ao desespero, por vezes mostras que tens saudades, que também te arrependes, que também gostavas de me dar a opurtunidade que eu te quis dar e tu não deixaste, como no momento asseguir mudas completamente, deixo de te sentir "meu" (já nem tenho a coragem de usar essa palavra sem ser entre aspas). Passas então a irritar-me, por não te perceber, por não saber o que queres, e principalmente, por não saber como ficar, como reagir. Eu sei que podiamos ter tudo, podiamos fugir, abstrair-nos, ficar no nosso proprio mundo que haviamos construido, cercado pela fortaleza para onde mandamos todos os nossos medos, inseguranças, coisas que nos magoavam. Mas cada vez vieram mais coisas más e piores, e como dizes, a fortaleza não foi suficientemente forte, não aguentou, caiu, desmorenou. Mas eu continuo a perguntar-me o porquê! Eu sei, eu sei que isto podia ser apenas mais uma fase que juntos ultrapassariamos! Eu sei que, mais uma vez, como sempre fizemos, conseguiamos usar as coisas boas para vencer as más, pois as más não valiam nem um por cento daquilo que fomos um para o outro. Daquilo que eu te fiz viver, daquilo que me fizeste viver, daquilo que vivemos juntos, de tudo aquilo e de todos aqueles que ultrapassamos para ficarmos juntos. E conseguimos uma vez, sei que conseguiamos segunda. Mas não quiseste. Porquê??? Eu choro, choro porque me sinto completamente desamparada, sem lugar para onde ir, sem ter para onde me virar, apenas com este vazio cá dentro que me envolve quase que por completo.
Choro ainda mais pelas recordações do passado que vivemos, e que não podem ser repetidas, porque não queres.
Choro mais ainda porque nunca me importei com o porquê de nada, sempre sobrevivi, sozinha, resguardada em mim, só em mim, com a minha própria força, e agora não consigo não chorar e enervo-me com isso, choro mais então.
Eu fiz de ti a minha força, e agora que foste, nada ficou, ficou apenas aquela que te amava e continua a amar, incondicionalmente, ainda a tentar perceber porquê que o destino assim quis.
# nêê..
2 comentários:
"sinto que não vivemos nem metade daquilo que poderíamos ter vivido" - a isto dou o nome de amor: sentimento inútil que nos transforma em caleidoscópios ambulantes, que por vezes nos corta os braços, as pernas e a língua para compensar os tão bons momentos que também nos proporciona. Ai, pensando assim, o amor é um sentimento, só por si, egoísta que nos faz experimentar a sensação de prazer e depois nos obriga como que a pagar pelo mesmo... :S
Se falavas em se's, Inês, no texto da Sara, dou-te um conselho para os perderes: deixa esses se's irem à sua vidinha pois não fazem falta; que adianta pensarmos no que poderíamos ter sido? A partir do momento em que escolhemos um caminho, somos obrigados a libertar-nos de todas as outras hipóteses, quanto mais depressa as esqueceres, menos tens a lamentar, em vão, no futuro. Bem ou mal, penso assim e, às vezes, até ajuda! (Acho que para estes campos, devo dar a minha opinião, não a tomando como certa, claro).
É na parte em que depositaste, Nele, todas as tuas forças, que o Crescimento entra: por mais que alguém te leve a sítios tão impensáveis, tão maravilhosos, não podes, ou não deves transformar em 'nosso' uma coisa que te é tão íntima, que é tão TUA, como a tua força. Pois mais que nos entreguemos de corpo e alma, por mais que sejamos desinibidos e que deixemos cair os nossos medos num poço tão fundo quanto possível, há coisas que fazem parte de cada um e quando entregamos essas mesmas coisas, esses mesmos sentimentos, é como que se estivéssemos a abdicar de nós próprios por alguém. Talvez um pouco pessimista mas, sabendo que nada é dado como certo, tal facto, pode tornar-se uma proeza fatal.
Isto até pode soar mal: apesar de não tomar as tuas palavras como vindas dentro de mim ou como sendo eu a receptora, acredito que se alguma vez visse fazerem-no por mim, qualquer que fosse a minha dúvida, desvanescer-se-ia.
- Digo que não vejo as tuas palavras saírem de mim porque, de ti, aparecem naturalmente: procuras fazê-lo sem truques; usas as primeiras palavras que encontras (e atenção que não te estou a chamar limitada, mas sim simplista e pragmática: escreves de forma directa, clara e sem rodeios), ao contrário de mim que prefiro teatralizar tudo o que sai da minha boca, mascarar as palavras com pós púrpura e azulados, brilhos e plumas.
- Por vezes as pessoas têm medo de sentir, têm medo de o transmitir; e tu estás longe disso.
Por outro lado, se algum dia te libertaste do Mundo por causa desse tal Ele, talvez esteja na altura de te libertares de parte dele, não digo esqueceres nem digo enterrares o que sentes e o que sentiram juntos, mas sim conseguir diminuir essa mistura horrível (não pela beleza, mas pelo tamanho) de sensações que te preenche esse espaço que, no final de contas, te parece tão vazio.
Mas quem sou eu para achar seja o que for? Quem sou eu para te dizer “Inês, não vás por aí!”, se amanhã, possivelmente, poderei estar na tua situação? Aí, todas estas palavras, ainda que minhas, me parecerão parcas de sentido. Inúteis!
[Só aproveito este ‘post’ (e já que não falamos muito sobre estes assuntos na escola, não porque não queira mas por falta de ocasião, talvez; falo por mim) para te garantir que aqui terás sempre dois ouvidos e um ombro que não se importam de te ajudar e umas palavras ou então o silêncio, se assim preferires!]
Beijinho, Alexandra *
"A partir do momento em que escolhemos um caminho, somos obrigados a libertar-nos de todas as outras hipóteses", se fosse eu a escolher arcava com as consequências, não fui eu quem escolheu, tenho de levar com elas simplesmente "porque sim" e é isso que me magoa, de dia para dia, noite após noite.
Acho que tens toda a razão de que não vale a pena lamentar e os se's não passam apenas de se's que por muito que nos matemos a pensar neles sempre serão se's. Tenho que erguer a cabeça, seguir em frente, eu não quero, mas sei, e é isso que dói, porque a cabeça sabe, mas há algo que me prende os movimentos sempre que me tento mexer, sempre que tento dar o passo em frente...
É exactamente isso que sinto, como dizes, "é como que se estivéssemos a abdicar de nós próprios por alguém", sinto que abdiquei de mim, do que sou, ou do que era, ou talvez, e é mais provavel, do que sou e deixei de ser, parte de mim que está portanto escondida. Sinto que me entreguei ao sentimento de tal forma que me esqueci de mim mesma, que abdiquei de mim para dar vida a uma coisa que, como se veio a verificar, foi passageira. Como a vida, a vida não passa de uma passagem de metro, mal damos conta já estamos no fim da linha, e sei, eu sei que sempre vou ter consciência de que não fiz tudo o que havia para fazer...
Mais uma vez te dou razão, eu, sempre soube esconder os meus sentimentos, e tal como tu, mascarava os meus problemas de forma a não parecerem eles, parecerem mais simples, e de directos nada tinham. Mas não sei o que se passou, sei que "derrepente" deixei de ser assim, passei a ser totalmente transparente, a chorar, e irrita-me saber que todos saibam o que sinto. Até a minha escrita se reflecte directamente na realidade, é tudo o que sou, tudo o que sinto, transparente, tal como tenho sido, e isso corroi-me interiormente...
Obrigada por tudo Alexandra, e faço minhas, as tuas palavras, do último paragráfo.
:D Brócula, obrigado.
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